No dia 7 de maio de 2026, às 19h30, o Teatro Alberto Maranhão recebe o espetáculo “Sambando no Fio da Navalha”, criação cênica que nasce de uma pesquisa acadêmica e ganha corpo no palco como rito, denúncia e experiência artística. A montagem, com cerca de 60 minutos e classificação indicativa de 14 anos, parte da figura da malandra Maria Navalha para tratar de resistência feminina, culturas afro-brasileiras e violências que atravessam historicamente os corpos das mulheres.
A obra é resultado da dissertação de Mestrado em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, desenvolvida pela artista e pesquisadora Raqueli Biscayno Viecili. A pesquisa, orientada por Marcílio de Souza Vieira, investiga a força simbólica de Maria Navalha, personagem ligada a imaginários de liberdade, enfrentamento e presença feminina nas culturas afro-brasileiras.
Em cena, essa figura não aparece apenas como entidade, arquétipo ou referência espiritual. Ela surge como voz coletiva. A navalha do título corta mais do que o espaço: atravessa silêncios, expõe feridas sociais e transforma a dor em linguagem. O espetáculo aborda as camadas da experiência feminina e evidencia violências como a doméstica e os feminicídios, sem deslocar o tema para o discurso panfletário. A denúncia se constrói pelo corpo, pelo ritmo e pela presença.
A montagem transita entre dança, teatro e musicalidade, criando uma cena que se move entre o sagrado e o urbano. O palco se organiza como uma espécie de encruzilhada poética, onde memória, espiritualidade e luta se encontram. A proposta rompe com formatos tradicionais de narrativa e amplia o olhar sobre saberes ligados ao corpo e à cultura afro-diaspórica.
A direção geral é de Makarios Maia, que conduz a encenação a partir de uma dimensão simbólica e visual. O elenco reúne Amanda Lara, Gabriela Olier, Hugo Braga, Jemerson Batista, Kedma, Lian Demaman, Sister Mika Black, Stephane Louise e a própria Raqueli Biscayno Viecili.
A preparação corporal é assinada por Pierre Keyth, elemento central para a construção da presença cênica e para a conexão entre movimento, pesquisa e ancestralidade. A Samborê Artes responde pela produção executiva. A assessoria de comunicação e o design gráfico são de Hugo Braga.
Mais do que um espetáculo sobre Maria Navalha, “Sambando no Fio da Navalha” propõe uma travessia: entre o visível e o invisível, o corpo e o sagrado, a festa e a ferida. Cada gesto carrega memória; cada cena, uma convocação. A arte aparece como forma de sobrevivência, mas também como enfrentamento.
Os ingressos estão disponíveis a preços populares e podem ser adquiridos com os integrantes do grupo, na bilheteria do Teatro Alberto Maranhão e pelo Sympla:
https://www.sympla.com.br/evento/sambando-no-fio-da-navalha/3374197
Fonte: saibamais.jor.br
