A Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (5) o Projeto de Lei nº 7/2026, que reconhece a vida e a obra da atriz potiguar Titina Medeiros como Patrimônio Imaterial, Cultural e Artístico do Estado. A aprovação do projeto inscreve o nome de Titina na memória oficial do estado e consolida o legado de uma artista que atravessou o teatro, o cinema e a televisão sem nunca romper com suas origens. Natural de Currais Novos e criada em Acari, no Seridó, Titina levou o sotaque, a força e a imaginação do interior potiguar para os palcos do Brasil, tornando-se uma das artistas mais importantes de sua geração.
Autora da proposta, Divaneide Basílio destacou que o reconhecimento é também um gesto de reparação histórica à dimensão da obra deixada pela atriz. “Titina vive nos nossos corações, essa é uma medida de justiça com uma artista que dedicou sua vida à arte e à cultura, levando o nome do nosso estado para todo o Brasil e para o mundo”, afirmou.
Com mais de três décadas de trajetória, Titina construiu uma presença rara: era, ao mesmo tempo, rigorosa e popular, sofisticada e profundamente enraizada na cultura do povo. No teatro, formou-se e floresceu em grupos fundamentais da cena potiguar, como Clowns de Shakespeare e Carmim. Em 2017, fundou a Casa de Zoé ao lado do ator César Ferrario, ampliando sua atuação como criadora e produtora. No audiovisual, deixou marcas em curtas e longas-metragens, entre eles Filhos do Mangue, de Eliane Caffé. Na televisão, ganhou o país com personagens que carregavam sua força cênica singular, como Socorro, em Cheias de Charme, e Alzira Soriano, em Amor Perfeito.
Mas a força de Titina nunca esteve apenas na presença em cena. Havia também sua atuação fora dos refletores: a defesa da cultura, o compromisso com a formação de novos artistas e a insistência em construir caminhos para que a arte potiguar ocupasse mais espaço. Titina foi também uma articuladora, uma voz ativa na defesa da cultura e uma artista que entendia a criação como gesto coletivo.
Homenagens póstumas
Desde sua morte, em janeiro deste ano, aos 48 anos, o Rio Grande do Norte tem multiplicado homenagens à atriz. O adeus no Teatro Alberto Maranhão reuniu artistas, autoridades e admiradores. Em Acari, sua cidade de criação, a Casa de Cultura onde deu os primeiros passos na arte passou a se chamar Palácio Titina Medeiros.
Em março, o Teatro Sandoval Wanderley promoveu uma noite em sua homenagem, com espetáculo, exibição de documentário e a oficialização de seu nome em uma das salas do espaço. Em abril, o Governo do Estado inaugurou, também em Acari, o Memorial Titina Medeiros – Território de Encantamentos, espaço permanente dedicado à preservação de sua memória, com figurinos, fotografias, objetos pessoais e fragmentos de sua trajetória.
A aprovação do projeto na Assembleia costura esse ciclo de homenagens e amplia seu alcance. Ao reconhecer Titina Medeiros como patrimônio imaterial, o estado não apenas celebra uma atriz, mas afirma que sua trajetória, sua obra e sua presença pertencem à memória coletiva do Rio Grande do Norte.
O projeto segue agora para sanção da governadora Fátima Bezerra. Se confirmado, o nome de Titina será inscrito não apenas na história afetiva da cultura potiguar, mas também em seu patrimônio oficial.
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Fonte: saibamais.jor.br
