spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
AtualizaçõesJustiça condena prefeito do interior do RN a indenizar servidora por vídeo...

Justiça condena prefeito do interior do RN a indenizar servidora por vídeo difamatório

O prefeito de Pedra Grande, Pedro Henrique (PSDB), foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$ 5 mil, corrigido pela Taxa Selic, à servidora pública Geana Gabriella de Souza Clementino. A condenação se deu porque, segundo a sentença da juíza Cristiany Maria de Vasconcelos, ele publicou um vídeo nas redes sociais, em julho do ano passado, associando a autora da ação, sem provas, à administração de um perfil anônimo nas redes sociais, que teria espalhado “espalhado ódio, mentiras e ataques pessoais” na cidade com o objetivo de destruir a reputação do gestor.

A decisão foi proferida no último dia 27 de janeiro pelo Juizado Especial Cível, Criminal e da Fazenda Pública da Comarca de São Bento do Norte. Na sentença, a juíza considerou que o prefeito assumiu o risco de causar danos à honra e à imagem da servidora ao divulgar o conteúdo para um público amplo.

No vídeo, o prefeito também acusa a servidora de “destruir amizades” e “causar crises emocionais”. Ao final da gravação, Pedro Henrique exibiu a foto e o nome da servidora, vinculando-a diretamente às acusações.

Na decisão, a magistrada destacou que não há comprovação de que Geana Gabriella fosse administradora do perfil mencionado, nem qualquer conclusão de inquérito policial que a indicasse pelos fatos alegados.

O prefeito não compareceu à audiência de conciliação nem apresentou contestação no processo, o que levou o juízo a presumir como verdadeiros os fatos narrados pela autora da ação.

A sentença ressalta ainda que, em cidades pequenas, onde as relações sociais são mais próximas e a circulação de informações é mais rápida, o impacto de uma acusação pública pode ser ainda mais grave.

O vídeo, segundo os autos, teve mais de 300 comentários, superou a marca de 1.500 compartilhamentos e obteve mais de 1.000 curtidas, ampliando o alcance das acusações feitas pelo prefeito Pedro Henrique.

Para a juíza, a conduta do prefeito ultrapassou o mero aborrecimento e configurou “verdadeiro ataque à dignidade e à imagem pública” da servidora.

“Ao criar e compartilhar o vídeo imputando à autora fato delituoso sem nenhuma conclusão de inquérito ou mesmo de ação penal, o demandado assumiu o risco de manchar a reputação da demandante e de prejudicá-la, exacerbando os danos à sua imagem pessoal e profissional”, escreveu a juíza na sentença.

A magistrada, com base na Constituição Federal e no Código Civil, reconheceu a existência de dano moral e fixou a indenização em R$ 5 mil, valor que deverá ser pago com correção pela Taxa Selic.

A reportagem solicitou um posicionamento à assessoria de comunicação do prefeito, mas não obtivemos retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.

Prefeito já teve mandato cassado

A condenação ocorre em meio a outro revés judicial envolvendo o gestor municipal. Em 2025, o prefeito Pedro Henrique de Souza Silva e o vice-prefeito Agricio Pereira de Melo (MDB) tiveram os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral da 52ª Zona Eleitoral, sediada em São Bento do Norte.

A decisão, que atendeu a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pelo partido Republicanos, apontou a prática de abuso de poder político e econômico, além de propaganda antecipada durante as eleições de 2024.

A denúncia foi motivada pela realização do evento “Verão da Gente”, custeado com recursos públicos, em janeiro de 2024, com atrações como Wesley Safadão, Cláudia Leitte e Dilsinho, que receberam cachês no valor de R$ 800 mil, R$ 450 mil e R$ 180 mil, respectivamente.

A juíza Cristiany Maria de Vasconcelos Batista apontou que houve um “aumento exponencial e desproporcional dos gastos públicos para a realização do evento”, que passaram de pouco mais de R$ 510 mil em 2023 para R$ 2,1 milhões em 2024.

O custo total, no entanto, incluindo despesas não declaradas ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN), passou de R$ 2,6 milhões, segundo parecer do Promotor Eleitoral.

A magistrada observou ser “revelador” o fato de que os custos do evento para 2025, ano pós-eleitoral, “foram substancialmente reduzidos para R$ 634.712,20, ou seja, 3,4 vezes inferior ao registrado no ano eleitoral’.

Para a juíza, “a análise dos gastos e das circunstâncias de sua realização em 2024 revela um nítido desvirtuamento de sua finalidade para fins eleitorais, configurando abuso de poder econômico”.

Saiba Mais: Show de Wesley Safadão resulta em cassação de prefeito e vice no interior do RN

Fonte: saibamais.jor.br

- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Matérias Relacionadas

Festival Encontros reúne artistas no TAM nesta sexta

Mais de 150 artistas sobem ao palco do Teatro...

TRE barra divulgação de pesquisa citando operação da PF contra Allyson

A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte determinou...

Cinema de animação chega a crianças do litoral do RN

Crianças de cidades onde o cinema quase nunca chega...

Pacote de gratuidades no transporte público de Natal é aprovado na Câmara

A Câmara Municipal de Natal aprovou nesta quinta-feira (9),...

Styvenson lidera gastos em “divulgação parlamentar” entre senadores do RN

O senador Styvenson Valentim (Podemos), em vídeo publicado nas...

Série na internet explora ciência e memória local de Parnamirim

Por meio de imagens, escuta e território, o audiovisual...

Ex-prefeito de Mossoró nega ligação com esquema de propina denunciado pela PF

O pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil) se...

Governo do RN renova secretariado após saídas para as eleições

A governadora Fátima Bezerra (PT) empossou, nesta terça-feira (7),...

PSTU anuncia chapa própria para Governo do RN e Senado

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) terá uma...