O PSOL no Rio Grande do Norte vê com contrariedade a proposta de entrada na Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV. O partido caminha para apoiar Lula para presidente desde o primeiro turno, mas dirigentes partidários ressaltam que a entrada na federação é diferente de uma aliança, e que os socialistas podem perder autonomia ao integrar a mesma federação.
Nacionalmente, a única corrente que tem defendido a entrada do PSOL na Federação Brasil da Esperança é o grupo Revolução Solidária, do ministro Guilherme Boulos, que não atua no Rio Grande do Norte. Outros quadros, como a deputada federal Erika Hilton, também defendem essa composição. Por outro lado, correntes como Primavera Socialista (da presidenta nacional Paula Coradi), Movimento Esquerda Socialista (Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna), Resistência e Fortalecer o PSOL são contrários e vêem um perigo de aliança com setores do centrão e da direita.
O diretório estadual psolista vai se reunir na sexta-feira (6) à noite, e um dos pontos que será deliberado é referente à posição sobre a entrada na Federação Brasil da Esperança. A posição estadual a ser adotada na sexta será encaminhada ao Diretório Nacional, que tem encontro marcado para o dia seguinte, 7 de março. Nessa mesma reunião, o partido deve ratificar o apoio à reeleição do presidente Lula.
“Não queremos voltar ao PT”, desabafa Pimentel
Segundo o presidente do PSOL-RN, Sandro Pimentel, as alianças em épocas eleitorais ou nas ruas são importantes dentro da esquerda. Ele lembra que em 2024 o PSOL já apoiou Natália Bonavides (PT) para a Prefeitura de Natal.
“Mas a partir do momento que você faz uma federação, você faz um casamento por pelo menos duas eleições. Isso dificulta muito, porque o PSOL é um partido com 20 anos de idade, tem crescido ao longo do seu tempo, acertando e errando, mas fazendo a sua política e colocando o seu programa para que a população tome conhecimento e saiba do que o PSOL defende”, afirma, antes de prosseguir:
“Eu, particularmente, e vários de nós, viemos do PT e não queremos voltar ao PT, embora a federação não signifique voltar a uma certa agremiação partidária, mas passa a ser como se fosse um partidão, um guarda-chuva grande. E como o PT, obviamente, é um partido muito maior, é quem vai dar as cartas de todas as decisões nos estados e nos municípios”, explica.
A posição é semelhante à do presidente municipal Júlio Pontes, que salienta que a rejeição à federação não significa negar a unidade eleitoral com Lula desde o primeiro turno contra o bolsonarismo.
“A gente acha que a unidade eleitoral com Lula desde o primeiro turno para derrotar a expressão desse setor neofascista no Brasil, hoje reunido ao redor do bolsonarismo, é fundamental, mas isso nada tem a ver com a proposta de federação.”
Segundo Pontes, a provável derrota da proposta de federação sinaliza que o PSOL vai seguir como um partido independente.
“Com a consciência de que é muito importante e fundamental fazer unidade contra a extrema direita, mas sem abrir mão de se postular como uma esquerda independente, com um programa anticapitalista, que é capaz de promover as transformações necessárias que são o melhor antídoto para transformar a vida do povo pobre trabalhador, radicalmente contra a extrema direita”, afirma.
Ele também aponta que a posição de autonomia do PSOL permitiu que o partido votasse contra o Arcabouço Fiscal do governo Lula. Ainda segundo o dirigente municipal, a federação já em 2026 faria o PSOL entrar em alianças com as quais discorda, como no palanque de Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro e possivelmente de Rodrigo Pacheco (PSD) em Minas Gerais.
O ex-vereador Robério Paulino também é contrário à entrada na federação. Um dos fundadores do PSOL, ele diz que a sigla nasceu a partir da contrariedade de deputados federais petistas à Reforma da Previdência do primeiro governo Lula, em 2003. Segundo ele, uma federação entre as duas legendas faria o PSOL abandonar sua vocação de criticar o PT pela esquerda.
“O sentido de existir do PSOL é ser um partido crítico pela esquerda às políticas do PT de adaptação ao capitalismo. O PT hoje é um partido que gerencia o capitalismo do país, com algumas políticas sociais compensatórias, mas ao mesmo tempo que não rompeu com a lógica do capital, da dívida pública, da imensa transferência de renda”, aponta o ex-vereador.
“Evidente que o nosso alvo nessa eleição não é Lula. O nosso alvo é a direita, nós vamos atacar a direita, mas ao mesmo tempo nós queremos deixar claro em manter a vocação de existir do PSOL e a nossa autonomia, a nossa independência, que seria comprometida por essa federação”, defende.
Atualmente, o PSOL é federado com a Rede Sustentabilidade, que já avisou que não acompanhará os psolistas em eventual federação com o PT. O encontro do diretório nacional da Rede para discutir se apoia ou não a manutenção da federação com o PSOL será realizado na próxima segunda-feira (9).
Fonte: saibamais.jor.br



