Aos ouvidos atentos do leitor desavisado ou do turista aprendiz, a capital do Rio Grande do Norte vive de brisa, essa obra da natureza que balança as palhas dos coqueiros que nos restam e encrespa, de vez em quando, as águas do mar.
Menos para boa parte dos vereadores da cidade, que ganham nosso dinheiro para viver de ataques a uma colega xará do vento sopra suave sobre os morros da capital e a torna uma das mais bonitas do Brasil.
Para boa parte deles, Natal não tem grandes e pequenos problemas reais a serem analisados e resolvidos. Se não fosse essa Brisa de sobrenome Silva, viveríamos no paraíso de que nos fala o livro santo.
Aos 22 anos, Brisa foi a mulher mais jovem da história de Natal a se eleger vereadora, em 2020, pelo Partido dos Trabalhadores. Em seu segundo mandato, Brisa tem sido uma voz altiva e ativa gritando contra os desmandos da gestão do ex-prefeito Álvaro Dias e do atual, Paulinho Freire.
Esse tem sido o seu pecado, segundo esses colegas vereadores. Seu destemor quase juvenil e sua franja de índia potiguara incomoda (e muito e a muita gente) no plenário da Câmara dos vereadores de Natal, cuja maioria obedece cegamente às ordens do prefeito de plantão.
A olhos vistos, muitos dos vereadores de Natal não têm honrado à memória do herói que nomeia o palácio que os abriga. Logo, penso: o que diria deles o ilustre natalense Miguel Joaquim de Almeida e Castro (Padre Miguelinho), mártir da revolução de 1817, no Recife, que perdeu a vida lutando para criar no Brasil uma República independente de Portugal?…
A verdade é que, ao se analisar as votações importantes da Casa que deveria ser do povo de Natal, percebe-se uma troca de interesses da capital pelos interesses do capital. A Câmara virou as costas para a cidade e para os interesses do cidadão comum, a quem deveria servir.
Muitos deles reza conforme a cartilha do prefeito, como se fossem mais um dos tantos jabutis trepados que povoam nossa fauna palaciana, numa subserviência semelhante à vivida nos tempos mais duros da repressão política, durante os anos de chumbo da ditadura militar.
Os vereadores de Natal não respeitam o eleitor que lhes conduziu ao poder, cooptados que foram pela de um poder que destrói coisas belas com a conivência e a conveniência, por vezes criminosa, de quem deveria defender com rigor e coragem a cidade e o cidadão do interesse particular.
Que o diga esse processo contra a vereadora Brisa Brachi e seus rolés vermelhos, cujo erro foi agir de modo similar aos seus colegas e pensar que sairia impune do julgamento e da condenação daqueles que gastam dinheiro público em benefício próprio, ignorando a lei e a moralidade, como ela o fez.
E não há quem me convença de que a Câmara insistiu num processo ilegal e imoral para cassar a vereadora Brisa Silva, atropelando a lógica e o bom senso, conduzida a reboque por dois ou três de seus membros, que provaram que não conhecem, nem respeitam a lei.
Desde o ano passado que já se sabia que esse processo não daria em nada, simplesmente porque foi construído sobre bases frágeis como o discurso de seus patrocinadores, cães raivosos e furiosos contra os interesses da população e dóceis cachorrinhos de madame, diante dos interesses do prefeito e de seus partidários.
Tudo feito com a conivência do presidente, Érico Jácome e dos vereadores da bancada de Paulinho Freire, com a clara intenção de manter uma cortina de fumaça que desvia o olhar do natalense para o festival de desmandos cometidos pelo prefeito.
Perdeu a Câmara e seus vereadores lacradores, apoiados por quem prefere repetir mentiras até elas se tornem verdades e que agora precisam pagar a conta do dinheiro, do tempo e da energia perdidos com a tentativa frustrada de cassar Brisa.
Enquanto isso, a cidade padece com as obras abandonadas pelo ex-prefeito Álvaro Dias, problemas de toda ordem e natureza, sem falar no esforço insano do prefeito Paulinho, utilizando-se da máquina pública para eleger a mulher às vistas de todos… mas, só os vereadores não enxergam.
Fonte: saibamais.jor.br



