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AtualizaçõesProjeto forma cordelistas e impulsiona protagonismo feminino na arte

Projeto forma cordelistas e impulsiona protagonismo feminino na arte

Abrir um caderno em branco, puxar pela memória e transformar a própria vida em verso. É nesse movimento simples, mas potente, que o projeto “Cria Poesia”, oficinas de cordel para mulheres potiguares, encontra sua força. A segunda edição da iniciativa foi confirmada e visa ampliar o alcance e aprofunda o espaço, escuta e coragem para mulheres escreverem suas próprias histórias.

A nova edição vai percorrer quatro cidades do Rio Grande do Norte, Natal, Apodi, Caicó e São José de Mipibu, reunindo 80 mulheres em oficinas de escrita criativa, estrutura do cordel, processos poéticos e rodas de conversa sobre identidade e território. Ao final, os textos produzidos ganham forma em uma publicação coletiva, além de apresentações abertas ao público.

Mas o que sustenta o projeto vai além da técnica. Segundo a diretora Lu Bezerra, a primeira edição revelou algo essencial. “Tem muita mulher potiguar com vontade de escrever, de se reconhecer na cultura e de contar as próprias histórias, mas muitas vezes faltava oportunidade, incentivo e um espaço onde ela se sentisse à vontade para começar”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.

Ela conta que o processo vivido nas oficinas foi, muitas vezes, transformador. “A gente viu mulheres chegarem dizendo que nunca tinham escrito um verso e, aos poucos, irem criando coragem, soltando a voz e percebendo que a vida delas também cabia dentro do cordel.” A experiência, segundo ela, atravessou não só as participantes, mas toda a equipe envolvida.

É dessa escuta que nasce a segunda edição. Mais experiente, o projeto agora se expande, respeitando os tempos de cada turma e as particularidades de cada território. “O Cria Poesia não chega nesses lugares querendo ensinar cultura para ninguém. Pelo contrário. O projeto cresce quando encontra os sotaques, as histórias e os modos de viver de cada cidade”, explica Lu.

A escolha das cidades também revela esse cuidado. Em Natal, o urbano dialoga com tradições populares; em São José de Mipibu, os saberes do interior seguem vivos nas manifestações culturais; em Caicó, a poesia e a oralidade fazem parte da identidade local; e Apodi se destaca pela força dos movimentos comunitários e da cultura popular. A proposta é descentralizar e alcançar mulheres que, muitas vezes, estão fora dos grandes circuitos culturais.

Dentro das oficinas, o cordel aparece como linguagem e como espelho. “Quando uma mulher escreve um cordel falando da própria vida, ela também está dizendo: ‘minha história merece ser ouvida’”, diz a diretora. Para muitas participantes, o primeiro desafio não é rimar, mas se reconhecer como alguém capaz de criar.

Esse gesto ganha ainda mais força em um campo historicamente marcado pela presença masculina. “Durante muito tempo, muitas mulheres participaram da cultura popular mais nos bastidores do que no centro da cena”, pontua Lu. Ao ocupar esse espaço, escrevendo, declamando e publicando, elas não apenas mantêm a tradição viva, mas também a transformam. O site reúne alguns dos versos criados na edição anterior, confira:

O projeto também se constrói a partir da diversidade. Mulheres negras, indígenas, periféricas, com deficiência, jovens, mais velhas, mães, LGBTQIAPN+. “Quanto mais vozes aparecem, mais viva a cultura popular continua”, resume.

Ao fim do percurso, o impacto esperado não se mede apenas em páginas impressas. “A gente espera deixar vontade de continuidade”, afirma. Para ela, o legado está nos desdobramentos cotidianos: na mulher que continua escrevendo, na que incentiva outra, na que perde o medo de ocupar espaços.

As inscrições da nova edição serão abertas em breve e divulgadas no Instagram da Ampare (@amparepotiguar).

Quem faz o projeto acontecer

Criada em 2016, a Associação da Mulher Potiguar (Ampare) nasceu com a proposta de construir pontes entre mulheres e fortalecer lutas, especialmente as mais invisibilizadas. Desde 2023, com sede na Casa de Cultura da Mulher Potiguar, na Ribeira, em Natal, a associação se consolida como um espaço de acolhimento, formação e troca.

A segunda edição do Cria Poesia é realizada pela Ampare, com apoio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, por meio da Baluarte e da Lei Câmara Cascudo, o que possibilita a ampliação do projeto e a chegada a novos territórios.

É nesse ambiente que o Cria Poesia se ancora. Um projeto que entende tradição como algo vivo, em movimento. Como diz Lu Bezerra, “o cordel continua vivo justamente porque consegue conversar com o presente sem perder a raiz”.

No fim, a proposta é direta, mas carregada de sentido. É fazer com que mais mulheres deixem de ser apenas leitoras da cultura para se tornarem também autoras dela. E que, verso a verso, ampliem o que pode caber dentro de um cordel.

SAIBA MAIS:
Projeto promove debate sobre direitos com mulheres do Passo da Pátria
Fiocruz abre seleção para mulheres no RN em projeto de formação de defensoras populares



Fonte: saibamais.jor.br

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