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AtualizaçõesAos 63 anos, aluna celebra conquista da independência digital na UFRN

Aos 63 anos, aluna celebra conquista da independência digital na UFRN

Aos 63 anos, Ana Célia Couto resume em uma palavra o que viveu ao concluir o Projeto de Extensão Inclusão Digital para Idosos (ProEIDI), do Instituto Metrópole Digital da UFRN: pertencimento.

“Foi um sentimento de realização, de estar no meu lugar de fato”, define.

A frase traduz o impacto do programa, que encerrou mais uma edição no último mês com a formatura de 144 idosos, durante o evento ProEIDI Conecta, realizado na sede do IMD, em Natal.

A cerimônia marcou o fim de oito semanas de aulas e atividades voltadas à inclusão digital da população idosa. Desde 2016, o ProEIDI já formou cerca de 1,3 mil participantes em todo o Rio Grande do Norte e se consolidou como uma das principais iniciativas do país na área, tornando-se referência nacional e inspiração para políticas públicas de inclusão digital.

A programação do encerramento ocorreu durante a manhã e reuniu alunos, familiares, monitores e professores. Além da entrega de certificados, o evento contou com dinâmicas interativas, jogos digitais, apresentações das turmas e a palestra “O Impacto do ProEIDI na Minha Vida”, espaço em que os próprios idosos compartilharam relatos sobre as transformações provocadas pelo contato com a tecnologia.

Neste semestre, o projeto ofertou cinco cursos: Smartphone Básico, Smartphone Avançado, Computador, Pensamento Computacional e Inteligência Artificial, distribuídos em dez turmas. As aulas abordaram desde o uso cotidiano do celular até noções de lógica, programação e funcionamento da inteligência artificial, sempre com foco na autonomia, na segurança digital e na ampliação da participação social dos idosos.

Segundo a coordenadora do projeto no IMS, professora Isabel Dillmann Nunes, a proposta vai além do ensino técnico, pois cria uma experiência de aprendizado intergeracional:

“As pessoas idosas aprendem tecnologias, mas os monitores e professores da graduação aprendem empatia e a perceber as necessidades do outro. Isso é essencial para quem está aprendendo a desenvolver tecnologia”, afirma.

Isabel explica que o conteúdo apresentado busca romper com a ideia de que o idoso deve apenas consumir tecnologia.

“Eles aprendem a usar o celular no dia a dia, mas também a programar e a entender como funcionam tecnologias como a inteligência artificial. Não é só apertar um botão, é compreender o que existe por trás”, destaca.

Entre os formandos está Ana Célia Couto, que decidiu se inscrever no ProEIDI ao perceber que precisava se atualizar.

“A motivação foi o fato de eu ter que aprender algo que a tendência é estar cada vez mais presente no meu dia a dia”, conta.

Ela conheceu o projeto por meio de uma reportagem exibida na TV Universitária e também pelas divulgações feitas pela própria coordenação.

Saiba Mais: “Calouros” com mais de 60 anos crescem 944% na UFRN em 20 anos

Foto: cedida

Ana Célia venceu a limitação com a tecnologia

Antes do curso, a relação de Ana Célia com a tecnologia era limitada. Mesmo assim, o medo não se sustentou por muito tempo:

Minha relação com o computador era muito tímida, só o básico. Eu tinha curiosidade, mexia um pouco, mas sem segurança. A partir do momento que iniciei o curso básico, me senti fazendo parte desse mundo tão atraente e complexo. O acolhimento dos professores e monitores foi tão grande que o medo passou longe”, afirma.

Para Ana Célia, a maior mudança foi a conquista da independência. “Independência total. Não precisei mais pedir favor para filha ou marido. Foi uma sensação maravilhosa, de liberdade, só coisa boa”, diz. Segundo ela, o aprendizado teve reflexos diretos na autoestima e na vida cotidiana.

O momento da certificação foi especialmente simbólico. A convivência com os monitores jovens também deixou marcas profundas:

“Foi um sentimento de realização, de pertencimento. Eu me senti incluída, reconhecida. A convivência com os professores também foi maravilhosa. São jovens comprometidos, pacientes, agradáveis e muito inteligentes. O que mais me chamou atenção foi o prazer que cada um sentia em estar ali todos os sábados para nos ensinar”, relata.

Na avaliação da aluna, a experiência também contribui para transformar o olhar das novas gerações sobre o envelhecimento.

“Tenho certeza de que serão jovens com um olhar diferenciado para os idosos, ajudando a diminuir o preconceito e a falta de respeito que ainda existem”, afirma.

Motivada, Ana Célia pretende seguir estudando. Para outros idosos que ainda têm receio da tecnologia, o conselho é direto e afetivo:

“Por favor, se olhem mais, se amem mais. A vida começa a partir dos 60 anos. Sejam felizes e procurem aprender, especialmente tecnologia. É complicado só no início, depois a gente tira de letra”, aconselha.

O projeto

Além da formação técnica, o encerramento do semestre representou um momento de emoção para alunos e equipe. Atualmente, o ProEIDI é reconhecido nacionalmente e inspirou a criação de um programa de incentivo à inclusão digital para idosos no Brasil, por meio da Sociedade Brasileira de Computação. As próximas turmas estão previstas para serem abertas em meados de março de 2026, dando continuidade a uma iniciativa que, para muitos participantes, representa não apenas aprendizado, mas uma nova forma de estar no mundo.

Fonte: saibamais.jor.br

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