A Federação Brasil da Esperança no Rio Grande do Norte divulgou nesta quarta-feira (21) uma nota política em que analisa a reconfiguração das forças conservadoras no estado e reafirma o nome de Carlos Eduardo Xavier, o Cadu Xavier (PT), como pré-candidato ao Governo em 2026. O posicionamento ocorre em meio à fragmentação do campo da direita e à formalização de diferentes projetos que disputam o eleitorado oposicionista, com destaque para a pré-candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) e a movimentação do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
No documento, a Federação sustenta que o ciclo político iniciado pela governadora Fátima Bezerra não pode ser interrompido e que sua continuidade tem caráter estratégico para o desenvolvimento do estado. A nota afirma ainda que Cadu Xavier reúne “todas as condições” para dar prosseguimento a esse projeto e que a aliança também atuará para eleger Fátima Bezerra ao Senado, em uma articulação de dimensão estadual e nacional.
A manifestação ocorre um dia após a direita potiguar oficializar Álvaro Dias como seu nome para o Governo, em articulação liderada pelo PL e pelo senador Rogério Marinho, que retirou sua própria pré-candidatura para assumir a coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Apesar do anúncio, o campo oposicionista segue dividido. Allyson Bezerra mantém agenda de pré-campanha, amplia alianças no interior e lidera pesquisas recentes, configurando ao menos dois polos distintos na disputa pelo mesmo eleitorado.
A fragmentação também se expressa na reorganização partidária. O MDB, comandado no estado pelo vice-governador Walter Alves, rompeu com o governo e passou a integrar o bloco oposicionista, articulando-se em torno da possível candidatura de Allyson. Já o núcleo mais identificado com o bolsonarismo, formado por PL, Republicanos e PSDB, aposta em Álvaro como representante de um projeto alinhado à extrema-direita nacional.
Esse reposicionamento vem acompanhado de debates sobre o conteúdo programático em disputa. Antes de recuar da corrida ao Executivo, Rogério Marinho defendeu publicamente a adoção de “medidas impopulares”, como a privatização da Caern, a suspensão de aumentos reais para servidores e a implementação de um Plano de Demissão Voluntária, propostas que indicam a orientação liberal e de redução do papel do Estado que marca o campo conservador. Embora agora fora da chapa majoritária, o senador segue como principal articulador político do grupo no RN.
Ao afirmar que as forças conservadoras articulam “iniciativas contrárias ao futuro do Rio Grande do Norte”, a Federação Brasil da Esperança busca situar a disputa de 2026 não apenas como uma competição de nomes, mas como um embate entre projetos. De um lado, a continuidade da coalizão que governa o estado desde 2019, ancorada em políticas públicas de fortalecimento do serviço público, investimentos sociais e articulação federativa. De outro, um campo oposicionista fragmentado, que combina lideranças de centro-direita e extrema-direita e que, até o momento, não conseguiu unificar discurso nem estratégia.
A nota também antecipa a ampliação do diálogo com outros segmentos políticos e sociais, por meio de uma reunião ampliada que deverá ocorrer nos próximos dias. O movimento sinaliza que, além de consolidar a pré-candidatura de Cadu Xavier e a postulação de Fátima Bezerra ao Senado, a Federação pretende construir uma frente mais ampla em defesa do que define como projeto democrático-popular, em um cenário nacional marcado pela reorganização das forças conservadoras e pela tentativa de retorno do bolsonarismo ao centro da disputa presidencial.
Com o tabuleiro ainda em rearranjo e as convenções partidárias distantes, a sucessão estadual no Rio Grande do Norte começa a se desenhar como uma corrida marcada por divisão no campo da direita e pela busca, no campo governista, de transformar a continuidade administrativa em plataforma política para 2026.
Nota da Federação Brasil da Esperança na íntegra.
Reunida na manhã de hoje (21), a Federação Brasil da Esperança – RN analisou a reconfiguração política das forças conservadoras no estado, que articulam iniciativas contrárias ao futuro do Rio Grande do Norte.
O ciclo político, econômico e social inaugurado pela professora Fátima Bezerra não pode ser interrompido. Sua continuidade possui caráter estratégico para o desenvolvimento do estado. Nesse sentido, nosso pré-candidato, Cadu Xavier, reúne todas as condições para dar prosseguimento a esse projeto com responsabilidade e compromisso público.
Por uma necessidade de dimensão nacional e estadual, a Federação também atuará firmemente para a eleição de Fátima Bezerra ao Senado da República, fortalecendo a representação do Rio Grande do Norte e o projeto democrático-popular no país.
Nos próximos dias, a Federação realizará uma reunião ampliada, com a participação de outros segmentos políticos e sociais comprometidos com essa perspectiva.
Federação Brasil da Esperança RN
Fonte: saibamais.jor.br
