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Fátima reage ao rompimento de Walter e rebate narrativa de crise no RN

A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou, em entrevista concedida nesta terça-feira (27) ao programa Tamo Junto, da Rádio Universitária FM (UFRN), que foi surpreendida pela decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o comando do Executivo quando ela se desincompatibilizar, em abril, para disputar uma vaga ao Senado. Mais do que a mudança de planos em si, Fátima apontou a forma e o conteúdo do gesto como um rompimento de pactos políticos construídos ao longo de todo o segundo mandato e que, até então, vinham sendo tratados como naturais dentro da base governista.

Segundo a governadora, havia um entendimento consolidado, inclusive com o aval do presidente Lula e das direções nacionais do PT e do MDB, de que Walter assumiria o governo e, a partir daí, seria o nome natural do campo democrático-popular para a sucessão em 2026, com apoio integral da coalizão.

“O governo não esperava por essa mudança de rumo do vice-governador. A própria sociedade não esperava. A imprensa não especulava que ele não viesse a assumir o governo. O que estava colocado era o que manda a lógica política e institucional: ele assumiria e seria o candidato à reeleição, com o apoio do PT, dos partidos aliados e do presidente Lula”, afirmou.

Fátima relatou que, mesmo quando Walter decidiu não disputar a reeleição, manteve o compromisso de assumir o governo e de trabalhar, em conjunto com ela, na recomposição do MDB, especialmente na formação de nominatas fortes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. Esse pacto, segundo a governadora, foi reiterado em reuniões com a direção nacional do partido, incluindo um encontro com o presidente do MDB, Baleia Rossi, e o líder Isnaldo Bulhões.

“Havia diálogo franco, respeito e construção coletiva. Eu dizia a ele: a partir de agora, nenhuma decisão relevante no Estado será tomada sem que eu converse com você. Isso era prática, não discurso. Por isso, a decisão de não assumir, tomada de forma abrupta, pegou a todos de surpresa”, disse.

Apoio à direita e operação da PF

O gesto de Walter ganhou ainda mais peso político ao ser acompanhado do anúncio de que não apenas abrirá mão de assumir o governo, como também declarou apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que se movimenta como pré-candidato ao Governo do Estado pelo campo da direita. O reposicionamento ocorre em um momento delicado para Allyson, que foi alvo, também nesta terça-feira (27), de operação da Polícia Federal, com mandados de busca e apreensão no âmbito de investigações sobre um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos da saúde no estado.

Sem entrar em juízos sobre a operação da Polícia Federal, mas afirmando que as investigações no estado devem avançar “com independência, rigor e aprofundamento”, Fátima observou que o apoio explícito a um projeto situado no campo conservador altera profundamente o tabuleiro político e rompe com a lógica da aliança que sustentou o governo desde 2018.

“Estado quebrado”: Fátima rebate com números

Um dos argumentos utilizados por Walter e por setores que defendem o seu afastamento do projeto governista é o de que o Rio Grande do Norte viveria uma situação fiscal crítica, o que tornaria “ingovernável” a transição. Na entrevista, Fátima foi direta ao classificar essa leitura como uma narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais.

“Os fatos criam uma narrativa totalmente diferente dessa que tenta pintar o Estado como se estivesse quebrado. Quando nós chegamos, em 2019, encontramos quatro folhas de pagamento em atraso. O comprometimento da receita corrente líquida com pessoal era de cerca de 63% a 64%. Hoje está em torno de 56% e a projeção é chegarmos ao final de 2026 com algo próximo de 54%”, afirmou.

A governadora lembrou que, mesmo com os impactos severos das Leis Complementares 194 e 192, aprovadas em 2022 durante o governo Bolsonaro, que reduziram drasticamente a arrecadação de ICMS sobre combustíveis e energia, o Estado manteve o pagamento dos servidores em dia e conseguiu retomar uma trajetória de equilíbrio.

“Essas leis provocaram um abalo violento nas finanças dos estados. No nosso caso, somou-se a isso a redução da alíquota do ICMS de 20% para 18%, o que retirou quase R$ 800 milhões por ano do orçamento. Ainda assim, hoje não há um único servidor com salário atrasado. No dia 31, todos os ativos, aposentados e pensionistas recebem integralmente”, destacou.

Fátima acrescentou que, mesmo diante desse cenário adverso, o governo manteve políticas de desenvolvimento que resultaram em crescimento do emprego formal e atração de investimentos.

“O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado do Nordeste a ter mais empregos com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família. Modernizamos a política de incentivos, fortalecemos a indústria e hoje temos mais de 300 empresas beneficiadas, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho. Se o Estado estivesse no caos que tentam pintar, não haveria tanta gente querendo disputar a cadeira de governador”, afirmou.

Para a governadora, portanto, o argumento financeiro não se sustenta tecnicamente e cumpre papel político: tentar justificar o desembarque e, ao mesmo tempo, fragilizar o projeto que ela apresentará ao eleitorado na disputa pelo Senado.

Governo interino e correlação de forças

Com a confirmação de que Walter não assumirá, o cenário passa a ser o de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para a escolha de um governador interino. A governadora deixou claro que o PT e os partidos do campo popular-democrático trabalharão para construir maioria entre os 24 deputados estaduais.

“O povo nos confiou a gestão do Estado até 31 de dezembro de 2026. Isso está amparado na Constituição e na soberania popular. O PT não fugirá dessa responsabilidade. Estamos trabalhando para construir a correlação de forças necessária para garantir a continuidade do projeto que foi aprovado nas urnas”, afirmou.

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Fonte: saibamais.jor.br

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