O multiartista potiguar João Marcelino foi um dos contemplados na 2ª edição do Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes 2025, reconhecimento nacional concedido a personalidades com contribuição relevante à cultura brasileira. Natural de Macaíba, na Grande Natal, o artista construiu uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada ao teatro, atuando como diretor de arte, figurinista, cenógrafo, aderecista, dramaturgo, visagista e cineasta, além de formador de novas gerações de artistas.
Referência na cena cultural do Rio Grande do Norte, Marcelino dirigiu e colaborou com espetáculos emblemáticos, entre eles “Chuva de Bala no País de Mossoró”, Meu Seridó (2017), Hamlet (2017), A Tempestade (1994), Candeias (2021) e outros, uma soma que chega a quase 160 espetáculos.
Fundador da Cia. A Máscara de Teatro, também se destacou pelo trabalho contínuo de formação artística e pela valorização da cultura popular nordestina, consolidando-se como um dos principais nomes do teatro potiguar contemporâneo.
Ao receber a notícia da premiação, o artista destacou o caráter coletivo da conquista e a importância do reconhecimento nacional.
“Este prêmio é um reconhecimento não apenas do meu trabalho e de minha paixão pelo teatro, mas de todos aqueles que, ao longo dos anos, compartilharam comigo o palco, os ensaios e a dedicação à arte. É uma honra imensa ver a cultura potiguar sendo celebrada em nível nacional e saber que contribuímos, com cada espetáculo e cada formação, para tecer a rica e diversa tapeçaria da cultura brasileira”, afirmou.
Infância entre tecidos e descoberta do palco
A relação com a criação começou ainda na infância, em casa, observando o trabalho da mãe costureira. Sentado no chão, sob a máquina de costura, acompanhava tecidos e linhas se transformarem em roupas, experiência que marcaria profundamente sua percepção estética e sua futura atuação como figurinista. Na adolescência, a pintura ampliou seu interesse pelas artes visuais, até que o contato com o teatro definiu seu caminho profissional.
A estreia ocorreu em 1980, no Grupo Manacá, sob direção de Costa Filho, onde atuou como ator, figurinista e cenógrafo. Nos anos seguintes, integrou o Teatro da Esquina Colorida e a Stabanada Cia. de Repertório, consolidando uma atuação multifacetada. Desde então, acumulou mais de uma centena de trabalhos em espetáculos no Brasil e no exterior, além de cerca de 25 prêmios nacionais e internacionais.
Ao longo da carreira, colaborou com grupos de referência, como Clowns de Shakespeare, Armazém Companhia de Teatro, Grupo Imbuaça e Coletivo Alfenim, além de companhias e espaços culturais do Rio Grande do Norte, como a Casa da Ribeira, o Grupo Estação de Teatro e a própria Cia. A Máscara de Teatro.
Reconhecimento internacional e presença na Quadrienal de Praga
O trabalho de João Marcelino também alcançou projeção internacional. Em 2015, foi convidado a participar da Quadrienal de Praga, na República Tcheca, considerado o principal evento mundial dedicado à cenografia e ao figurino, reunindo produções de mais de 60 países. O convite surgiu a partir do figurino criado para o espetáculo “Quintal de Luiz”, apresentado pelo grupo Estação de Teatro.
“Ela viu meu figurino feito para o Quintal de Luiz e me pediu para enviar o material para apreciação dos outros curadores. Mandei as fotografias de estúdio e de cena e o croqui”, relatou o artista.
O material passou a integrar a exposição e o catálogo oficial do festival, além de mostras no Brasil.
Na mesma edição, ele também participou da mostra “Confissão do Artista”, uma instalação coletiva com criadores de diferentes partes do mundo. “Na minha esfera eu coloquei os materiais que foram provocando a minha cabeça para a descoberta do figurino”, explicou, ao transformar memórias pessoais em obra artística.
Com 45 anos de carreira, João Marcelino soma 158 trabalhos em diferentes regiões do país e mantém uma atuação ativa na criação e formação teatral. Sua produção é marcada pela compreensão do figurino e da cena como extensões da narrativa, capazes de preservar memórias, identidades e experiências coletivas.
O Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes reconhece essa trajetória construída entre palcos, ateliês e salas de ensaio, consolidando João Marcelino como um dos principais responsáveis por projetar o teatro potiguar no cenário nacional e internacional.
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Fonte: saibamais.jor.br
