O Rio Grande do Norte ocupa a segunda posição no país em proporção de adultos com obesidade, conforme dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde, com base em atendimentos realizados em 2025. O estado aparece atrás apenas do Rio Grande do Sul no ranking nacional.
Segundo o levantamento, 42% dos adultos potiguares atendidos pelo Sistema Único de Saúde apresentam algum grau de obesidade, enquanto a média nacional é de 31%. Além disso, quase 60% da população adulta do estado está acima do peso, condição associada ao aumento do risco de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
Para a nutricionista Nathália Ribeiro, os números refletem uma combinação de fatores sociais, econômicos e comportamentais. “A obesidade não pode ser analisada apenas como uma questão individual. Estamos falando de acesso à alimentação adequada, rotina de trabalho exaustiva, sedentarismo e também de fatores emocionais”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.
Ela destaca que o enfrentamento do problema exige estratégias integradas. “Não basta responsabilizar a pessoa pelo peso. É preciso discutir políticas públicas, educação alimentar desde a infância e ambientes que favoreçam escolhas saudáveis”, pontua.
Diante do cenário, será realizada neste sábado (7), das 8h às 12h, uma mobilização gratuita no Parque das Dunas, em Natal, promovida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no estado. A programação inclui palestras, orientações com especialistas, atividades educativas e ações de conscientização.
A iniciativa integra as atividades do Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, e dialoga com a campanha internacional “8 Billion Reasons to Act on Obesity”, que chama atenção para a necessidade de ações coletivas diante do avanço da doença.
Do ponto de vista clínico, sobrepeso e obesidade correspondem ao acúmulo excessivo de gordura corporal. Quando o percentual de gordura ultrapassa níveis considerados adequados, há maior probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas. Além dos impactos físicos, a condição também pode gerar estigmatização e sofrimento psicológico.
Nathália reforça que a mudança começa com informação de qualidade. “A orientação profissional é fundamental para que a pessoa compreenda suas necessidades nutricionais e consiga estabelecer metas realistas. Pequenas mudanças sustentáveis ao longo do tempo tendem a ser mais eficazes do que medidas radicais”, conclui.
O crescimento do excesso de peso também tem sido observado entre crianças e adolescentes nas últimas décadas. No Brasil, a tendência de aumento em diferentes faixas etárias consolida um quadro classificado como problema de saúde pública, exigindo respostas articuladas entre gestores, profissionais e sociedade.
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Fonte: saibamais.jor.br
