O que começou como uma observação simples do cotidiano de pescadores em Porto do Mangue, município do litoral norte potiguar a cerca de 226 quilômetros de Natal, acabou se transformando em uma solução inovadora que hoje chama atenção dentro e fora do Brasil. A ideia nasceu entre estudantes da Escola Estadual Professora Josélia de Souza Silva e resultou no projeto Pesqueiro Sustentável, vencedor nacional da edição 2025 do Desafio Liga Jovem, competição promovida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na categoria Ensino Médio/Técnico.
A inspiração veio de um problema bastante visível na região: o avanço da algaroba, espécie considerada invasora e que tem ocupado áreas da vegetação nativa. Ao observar a situação, os estudantes perceberam que aquela madeira poderia ganhar um novo destino. “Percebemos que a algaroba vinha tomando espaço e pensamos: por que não transformar essa madeira em uma solução sustentável para capturar lagosta?”, conta o estudante Gabriel Melo, de 18 anos, líder da equipe.
A partir dessa ideia, o grupo desenvolveu um modelo de estrutura de pesca feito com madeira de algaroba. O equipamento apresenta uma vantagem significativa para os pescadores: o custo. Enquanto um pesqueiro convencional pode variar entre R$ 75 e R$ 138, a alternativa criada pelos alunos custa cerca de R$ 40, o que representa uma economia próxima de 60%.
Além de mais barato, o modelo também foi pensado para reduzir impactos ambientais. Diferentemente dos equipamentos tradicionais, que podem permanecer até um ano no fundo do mar e liberar resíduos prejudiciais, o pesqueiro sustentável se decompõe naturalmente após o período de uso, tornando-se substrato para organismos marinhos.
Outro aspecto considerado no desenvolvimento foi a preservação da espécie. A estrutura foi projetada para evitar a captura de lagostas juvenis, favorecendo a reprodução e contribuindo para o equilíbrio do ecossistema. “Nosso objetivo sempre foi fortalecer a economia local sem prejudicar o oceano. O pesqueiro sustentável captura lagostas médias e grandes, respeitando o ciclo de reprodução”, afirma Gabriel.
A equipe responsável pelo projeto é formada ainda pela estudante Gabriele Melo e pelo professor orientador Dalison Vitor. Juntos, eles conquistaram o primeiro lugar na competição, que em 2025 registrou mais de 10 mil projetos inscritos em todo o país, número recorde segundo os organizadores. Ao todo, 81 equipes chegaram à etapa final nacional, reunindo 376 participantes entre estudantes e professores.
O reconhecimento obtido no Brasil abriu portas para experiências internacionais. No ano passado, o projeto representou o país no Stockholm Junior Water Prize, realizado em Estocolmo, na Suécia. Nesta semana, até quinta-feira (5), os estudantes participam do Mobile World Congress Barcelona, considerado o maior evento global de conectividade, realizado anualmente na Espanha.
Durante a agenda em Barcelona, o grupo também participa de visitas a universidades, distritos de inovação e centros de empreendedorismo. A programação internacional continua no fim de março, quando os estudantes apresentarão o projeto na Brazil Conference, evento organizado na Universidade Harvard e no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.
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Fonte: saibamais.jor.br
