A esquerda terá outros nomes na disputa ao Governo e Senado no Rio Grande do Norte além do PT. Partidos como PSOL e PSTU já definiram os principais pré-candidatos, enquanto a UP mantém o debate interno. Já o PCB possui pendências eleitorais que impedem de lançar candidatura própria e deve apoiar outras siglas.
A movimentação mais recente foi a do PSOL. O partido definiu na sexta-feira (5) que vai lançar o professor e ex-vereador Robério Paulino para governador, e o vigilante e ex-deputado estadual Sandro Pimentel para senador.
A definição foi tomada em reunião do diretório estadual, que também deliberou a busca por uma unidade eleitoral com o PT para a segunda vaga ao Senado, hoje com o nome de Fátima Bezerra.
“Foi uma reunião muito boa, bastante lúcida, com bastante discussão, com análise de diversos cenários”, disse o presidente do PSOL-RN, Sandro Pimentel, sobre a reunião feita pelo diretório estadual. Na eleição nacional, o PSOL apoiará Lula.
No PSTU, o pré-candidato a governador é o sindicalista Dário Barbosa, professor aposentado de educação física, fundador do partido e da central sindical CSP-Conlutas. Barbosa já disputou o mesmo cargo em 2018, se apresentou para o Senado em 2022 e já concorreu a prefeito de Natal, vice-prefeito, vereador e deputado estadual em diferentes eleições.
Esse é o único nome confirmado até o momento pelo PSTU, que também vai disputar o Senado. O partido está finalizando as discussões internas para apresentar os nomes das demais pré-candidaturas locais. Para o vice-governo ou Senado podem vir a professora Luciana Lima, a servidora da saúde Rosália Fernandes e o trabalhador do Detran, Alexandre Guedes. O PSTU também terá candidatos para deputados estaduais e federais.

Nacionalmente, a legenda socialista lançou a pré-candidatura de Hertz Dias à presidência da República. Ele é ativista do movimento negro, rapper e professor da rede pública de ensino do Maranhão.
“Assim como a pré-candidatura de Hertz Dias, aqui o PSTU também vai buscar romper a polarização entre a esquerda capitalista do PT e a reacionária extrema direita bolsonarista. O objetivo é apresentar uma alternativa trabalhadora, popular e socialista para o RN”, disse o partido.
Na Unidade Popular (UP), que lançou a dentista do SUS e moradora de Natal, Samara Martins, como pré-candidata à presidência, a decisão também é de ter candidaturas próprias para o governo estadual e Senado. Segundo Júlio Lira, membro do diretório estadual da UP, um desafio será apresentar as candidaturas em meio ao cerco da comunicação, sem convites para debates públicos, sem o recebimento do Fundo Partidário e com uma verba pequena do Fundo Eleitoral.
“No cenário estadual a decisão é lançar candidaturas ao Senado e Governo. No entanto, estamos realizando um bom debate interno para definir quem são os companheiros e companheiras que representarão a UP nessa luta eleitoral de 2026. Definindo os nomes, os divulgaremos”, explica Lira.
No caso da disputa nacional, ele diz que a pré-candidatura de Samara Martins recoloca no centro do debate um programa para garantir vida digna ao povo e que afirma a necessidade da organização popular.
“Por isso o nome da companheira Samara Martins irá cumprir um papel fundamental. Mulher negra, trabalhadora, mãe e revolucionária. Precisamos organizar o povo, os trabalhadores, a juventude e em particular as mulheres negras, que são maioria na sociedade e que são as mais exploradas, uma pré-candidatura com a qual possam se identificar”, defende.
No PCB, a situação é mais delicada. As eleições de 2026 vão marcar 14 anos desde a última disputa travada pelo “Partidão” no Rio Grande do Norte. O partido está com pendências da legislação eleitoral, um dos fatores que impede a sigla de ter uma candidatura própria. Por isso, segundo Henrique Wellen, secretário político do PCB no RN, os comunistas vão apoiar candidaturas de parceiros ligados à defesa dos direitos da classe trabalhadora e dos movimentos sociais populares, mas o debate interno ainda está sendo feito e a definição não foi fechada.
“Os nomes a que chegaremos, após discussões internas, análises de alianças, programas e diálogos com outras forças políticas, provavelmente serão dos nossos principais parceiros estratégicos de luta, como PSOL e UP, mas também do PSTU”, explica. Wellen não descarta eventuais apoios a nomes do PT.
“Embora tenhamos importantes divergências políticas com o Partido dos Trabalhadores, e embora estejamos em campos estratégicos distintos (nós no campo revolucionário e eles no campo democrático popular), ainda assim, entendemos que há nomes em seu interior que são bastante valorosos, que estão significativamente à esquerda do seu partido e que são imprescindíveis para a luta política. Por exemplo, para citar um nome neste sentido, destacamos o da companheira Natália Bonavides”, afirma.
A definição da tática eleitoral no Rio Grande do Norte, destaca Wellen, será feita com base no centralismo-democrático e avalizada pelo Comitê Central, que já lançou Edmilson Costa à presidência. Ele já concorreu a vice-presidente em 2010 e é o atual secretário geral do PCB.
Fonte: saibamais.jor.br