O PSOL vai apostar no professor e ex-vereador Robério Paulino como pré-candidato a governador do Rio Grande do Norte, e no vigilante e ex-deputado estadual Sandro Pimentel para senador. A definição foi tomada em reunião do diretório estadual na noite desta sexta-feira (6), que também deliberou a busca por uma unidade eleitoral com o PT para a segunda vaga ao Senado, hoje com o nome de Fátima Bezerra.
Robério Paulino deve voltar à disputa pelo governo após 12 anos. Ele foi a grande surpresa da campanha de 2014 no estado e, com quase 130 mil votos e 8,74% de percentual, ajudou a levar a disputa entre Henrique Eduardo Alves (MDB) e Robinson Faria (PSD) para o segundo turno. Robério também já disputou cargos como prefeito e deputado estadual, e foi eleito vereador da capital em 2020.
Na mesma reunião do diretório, os socialistas também aprovaram uma resolução contrária à formação de federação com PT, PCdoB e PV, indicando a continuidade da atual federação com a Rede Sustentabilidade — posição que não se confunde com o apoio a Lula desde o primeiro turno para derrotar a direita. Essa tática também se expressará no estado, com foco nos combates às pré-candidaturas de Álvaro Dias (Republicanos) e Allyson Bezerra (União).
“Evidente que nós temos críticas e reservas ao governo Fátima, mas o centro nosso vai ser o combate à direita”, ressalta Robério Paulino.
Segundo o pré-candidato, a futura campanha do PSOL pode somar nos debates nesse sentido ao se apresentar com cara própria nas eleições.
“É importante o PSOL manter o seu perfil próprio, sua autonomia, sua independência e lançar candidatura qualquer que seja o nome, seja o meu nome ou seja outro. O PSOL não pode ficar simplesmente abaixo do guarda chuva do PT ou da Federação do PT”, aponta.
“Achamos que nos debates, na campanha, o nosso papel vai ajudar, porque nós vamos contribuir nesse enfrentamento com a direita. Não é uma candidatura contra o Cadu [Xavier, pré-candidato do PT a governador], é uma candidatura contra a direita. Agora é importante manter a nossa autonomia, a nossa independência”, diz.
Senado
Já Sandro Pimentel vai voltar às disputas após oito anos. Sua última campanha foi para deputado estadual em 2018, quando foi eleito. Presidente do PSOL no Rio Grande do Norte, ele afirma que o partido não pode deixar um vácuo aberto na eleição majoritária.
“Precisamos ter espaço de mídia, de debate, para que a gente possa apresentar à sociedade um programa diferenciado de todos os outros que aí estão”, defende ele, que diz ser uma honra representar o PSOL seja onde for.
“Desde estar militando no sol, como eu estive anteontem lá na UFRN na greve, quanto uma candidatura ao governo do Estado, ao Senado, deputado, vereador, qualquer cargo que seja, é sempre muito orgulhoso. Eu sou fundador do PSOL aqui, fundador do PSOL em Brasília, então, para mim, é sempre honroso poder levar as nossas bandeiras.”
Dobradinha com o PT
A resolução sobre a tática eleitoral do PSOL potiguar para 2026, divulgada publicamente pelo partido, também fala em “buscar, no atual cenário político, construir unidade eleitoral para uma chapa ao Senado Federal entre PT e PSOL, considerando a importância de fortalecer um campo democrático e progressista no Estado e no país”. Hoje, no cenário atual, a dobradinha se daria com Fátima Bezerra. A atual governadora do Rio Grande do Norte deve renunciar em 4 de abril para que possa ficar apta à disputa ao Senado. O PT ainda não definiu quem será o segundo nome para senador na chapa governista.
O documento ainda aponta o desenvolvimento de diálogo político e programático com movimentos sociais, organizações populares e setores progressistas da sociedade potiguar, visando ampliar a base social e política das candidaturas do partido.
“Caberá ao Diretório Estadual acompanhar a evolução do cenário político e eleitoral, mantendo a prerrogativa de deliberar sobre eventuais ajustes táticos necessários para a melhor defesa do programa e dos interesses estratégicos do partido”, diz a resolução.
Fonte: saibamais.jor.br
