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Travesti é homenageada pela Polícia Militar do RN por atuação social

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A professora, ativista e atual coordenadora de Diversidade Sexual e Gênero do Rio Grande do Norte, Rebecka de França, foi homenageada pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte com o “Diploma Capitã PM Marina Régia Galhardo Rocha Leôncio”, concedido a mulheres que se destacam por atuação em prol da segurança pública cidadã. A honraria foi entregue no último dia 10 de março, em Natal.

Travesti e referência na luta pelos direitos LGBTQIAPN+, Rebecka destacou o significado simbólico da homenagem, especialmente diante do histórico de perseguição a pessoas trans e travestis no Brasil, inclusive por forças de segurança. “Falar dessa honraria foi, para mim, viajar no tempo, desde as operações da Tarântula, lá na década de 70, durante a ditadura militar, que pegavam as travestis só por elas andarem nas ruas e eram presas. Sempre ser travesti foi uma perseguição”, afirmou em entrevista à Agência Saiba Mais.

Segundo ela, o reconhecimento por parte da corporação sinaliza uma mudança de postura institucional. “Essa instituição, que antes perseguia, agora mostra que está mudando sua perspectiva, seu olhar sobre esses corpos. Isso comprova que talvez tenham entendido que foi um erro no passado e que hoje estão tentando ver nossas vidas como dignas”, disse.

A homenagem ocorreu no contexto do Dia Internacional da Mulher e, para Rebecka, também representa o reconhecimento de sua identidade de gênero. “É uma honraria específica para mulheres, que retrata minha identidade feminina. Isso faz a gente entender que o que nos une na luta feminista não é a genitália, mas o enfrentamento ao machismo, à intolerância e à transfobia”, declarou.

Além de Rebecka, outra mulher trans também foi homenageada, a vereadora de Natal Thabatta Pimenta, ampliando o simbolismo do reconhecimento a trajetórias trans em espaços institucionais.

Rebecka de França está à frente da Coordenação de Diversidade Sexual e Gênero (Codis), vinculada à Secretaria das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh). Ela assumiu o cargo dando continuidade à gestão anterior e com o objetivo de ampliar políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, como o programa Transcidadania, que promove acesso à cidadania e qualificação para pessoas trans em situação de vulnerabilidade.

Atuante no movimento social desde 2009, Rebecka também é coordenadora da Associação de Travestis e Transexuais Potiguares (Attransparência-RN), entidade ligada à Rede Trans Brasil.

A trajetória de Rebecka inclui ainda marcos históricos, como estar entre as primeiras pessoas trans do Brasil a utilizarem o nome social no Enem, em 2014, o que possibilitou seu ingresso no ensino superior. Ao longo dos anos, ela também foi homenageada diversas vezes por instituições públicas em reconhecimento ao trabalho desenvolvido em defesa da população LGBTQIA+.

Para a gestora, a homenagem da Polícia Militar reforça não apenas sua trajetória individual, mas também um processo mais amplo de reconhecimento e inclusão. “Eu me emocionei várias vezes. Essa é a segunda honraria que recebo da Polícia Militar. A primeira já foi muito simbólica, e agora, sendo uma homenagem para mulheres, tem um significado ainda maior”, concluiu.

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Fonte: saibamais.jor.br

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