O nome do ex-deputado federal e ex-ministro das Comunicações no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Fábio Faria, voltou a ser citado no âmbito das investigações sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve sua liquidação determinada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025.
De acordo com a Folha de S.Paulo, em mensagem enviada a Fábio no dia 22 de maio de 2024, Vorcaro lhe relatou que havia recebido em sua casa o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), que recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e do fundo de investimentos Reag, entre o março de 2023 e maio de 2024, segundo informação do O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Ainda segundo o jornal, Vorcaro salvou o print da conversa com Fábio no serviço de armazenamento em nuvem da Apple. A imagem foi recuperada e entregue pela empresa à CPMI do INSS, que teve seus trabalhos concluídos no último dia 28.
Na troca de mensagens via WhatsApp, Vorcaro diz a Fábio: “Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto. ACM foi lá em casa”. O ex-ministro respondeu: “Bom demais”.
Quem é Augusto, citado na mensagem de Vorcaro a Faria
O personagem citado na mensagem de Vorcaro a Fábio é o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, que foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), junto com o banqueiro, em novembro do ano passado, na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Os dois são investigados pela suposta concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
Augusto Lima foi solto, ainda em novembro do ano passado, graças a uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que também beneficiou Daniel Vorcaro e outros diretores do Banco Master.
Ele está em casa, cumprindo medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Já Vorcaro foi preso novamente, no começo de março, na segunda fase da Operação Compliance Zero.
O Banco Central também determinou, em fevereiro, a liquidação do Banco Pleno, controlado pelo empresário baiano, que fazia parte do conglomerado do Banco Master.
Além das fraudes no setor financeiro, há suspeita de envolvimento do Banco Master no caso das fraudes no INSS. Augusto Lima, segundo as investigações, foi um dos responsáveis pela entrada da instituição financeira na operação no crédito consignado.
O Banco Master mantinha com o INSS um acordo de cooperação técnica para a aplicação de descontos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas pelo serviço.
Outra reportagem da Folha de S. Paulo revelou que o INSS, durante o governo de Jair Bolsonaro, no ano de 2022, alterou as regras para o crédito consignado, o que permitiu a criação do Credcesta, uma modalidade de crédito que possibilitou a expansão do Banco Master entre 2022 e 2025, até sua liquidação pelo Banco Central.
Augusto Lima afirmou ter deixado a sociedade com Daniel Vorcaro em Maio de 2024, data que coincide com a da conversa do banqueiro com Fábio Faria. Os dois eram sócios desde 2020.
Vorcaro comprou 90% de projeto de energia eólica pertencente a Fábio Faria

Fábio Faria, segundo o jornal, não quis se manifestar. Essa, no entanto, não é a primeira vez que o nome do ex-deputado potiguar é citado no âmbito do escândalo do Banco Master.
No final de janeiro, uma investigação do UOL revelou que uma empresa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro havia comprado 90% de um projeto de energia eólica pertencente a Fábio Faria.
A negociação envolveu um valor total de R$ 67,5 milhões e teve como parte do pagamento a entrega de um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 50 milhões, localizado na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo.
De acordo com a reportagem, o negócio foi fechado em fevereiro de 2024, pouco mais de um ano após Fábio Faria deixar o Ministério das Comunicações. Pela legislação brasileira, ex-ministros permanecem enquadrados como Pessoas Politicamente Expostas (PEP) por até cinco anos após o fim do mandato, o que não configura ilegalidade, mas exige maior rigor e transparência nas operações financeiras, conforme determina resolução do Coaf.
Ainda segundo a investigação do UOL, a empresa que adquiriu as cotas foi a Super Empreendimentos e Participações, apontada em investigações da Procuradoria-Geral da República como instrumento de desvio patrimonial do Banco Master para Daniel Vorcaro.
À época da negociação, a empresa era dirigida pelo cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, que participou dos trâmites finais do acordo com Fábio Faria. Ele também foi preso durante a segunda fase da Operação Compliance Zero.
SAIBA MAIS: Empresa ligada a presidente do Banco Master pagou por projeto de Fábio Faria no RN
Fábio Faria era “amigo íntimo” de Vorcaro, segundo PF
Fábio Faria também teria atuado para fazer a “ponte” para reaproximar Daniel Vorcaro do ministro Dias Toffoli, ainda antes de as investigações sobre o caso chegarem ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme divulgado pela jornalista Andreza Matais em sua coluna no jornal Metrópoles, em fevereiro, o nome do ex-deputado potiguar apareceu em inúmeras conversas resgatadas pela Polícia Federal no celular apreendido de Daniel Vorcaro.
Fábio Faria foi descrito como “amigo íntimo” do banqueiro no relatório enviado pela PF ao STF. O ex-ministro, ainda segundo a investigação, funcionava como uma espécie de elo entre o meio político e Daniel Vorcaro.
SAIBA MAIS: Fábio Faria tentou fazer “ponte” entre Vorcaro e Toffoli, aponta relatório da PF
Fonte: saibamais.jor.br