Abro a caixa de e-mails e lá está a mensagem: Caro Cefas, quite já a sua dívida no Bradesco! Com desconto ultra-mega-super especial: 80% de desconto. E um link para eu clicar e acessar essa promoção maravilhosa.
Excelente oportunidade, eu penso. Só que tem um pequeno detalhe: eu nunca tive conta no Bradesco.
Os golpes estão sempre aí, cai quem quer. Por inocência, desatenção ou ganância. Golpismo virtual pelo e-mail é de praxe desde que a internet era só mato, lá nos idos anos 2000. Como disse, jamais abri conta bancária no ilustre Bradesco, mas tenho conta na Caixa e no Banco do Brasil e já recebi centenas de e-mails de golpistas, igualmente oferecendo 90% de descontos, mundos e fundos, etc e tal.
Sou do time que acredita que quando a esmola é muita, o santo desconfia. Minha bagagem política anticapitalista me deixa sempre ligado que instituições bancárias não vão favorecer a vida dos clientes tanto assim. Ofereceu mega desconto ou quase quitação clicando num link, eu desconfio e rechaço. Prefiro ir à agência, levar um chá de cadeira e negociar com o gerente olho no olho.
Tem muitos outros tipos de golpes virtuais. Dos mais elementares, como aquele antigo via e-mail da herança milionária que a pessoa teria recebido de um tio distante na Indonésia. Mas para receber a pessoa teria que depositar numa conta uns 200 reais para a alfândega liberar, claro. Depois vieram golpes mais complexos e angustiantes, como os pedidos por zap de resgate de filhos. Em alguns casos causam preocupação real em pais, que acabam caindo no golpe. Em outros, no caso de vítimas que sequer têm rebentos, passa a ser só cômico mesmo.
Mas sempre pode ser mais bizarro. Passei anos recebendo e-mails com o anúncio “Aumente o seu pênis. Quer descobrir como? Clique aqui!”. Para mim esse era dos golpes mais evidentes e de óbvia detecção. Porém, conversando com um amigo técnico em informática, descobri que muitos homens caiam nele, clicando e sofrendo as consequências de um vírus danoso para o computador ou celular.
À primeira vista, a análise sobre esse fato é bem simples: qual o marmanjo que não gostaria de aumentar, digamos, sua ferramenta de prazer? O problema começa quando adentramos os aspectos operacional e psicológico. No primeiro ítem, a pergunta é: se o sujeito quer aumentar o pênis porque confiar em um e-mail apócrifo e vago, em vez de ir a um profissional médico para orientações e exames?
O segundo aspecto, o psicológico, é mais complexo. O tamanho do pênis é uma obsessão para homens desde a infância, já que vivemos em um mundo falocêntrico dominado pelo patriarcado. Ter o, perdão pela grosseria, “pau grande” é símbolo de status. Tanto que existe a expressão “por o pau na mesa”, quando indica que uma pessoa (geralmente homem) tomou uma decisão firme. A expressão “pica das galáxias”, essa fartamente usada por mulheres, também indica uma falocentria.
Compreensível, portanto, de certa forma, que no impulso muitos homens, instigados pelos anos de bagagem cultural e psicológica, vejam o e-mail esquisito como uma solução mágica para os problemas, tipo um gênio da lâmpada. Vão lá e clicam, sonhando com a fórmula mágica para o bilau ficar maior. E lá vem o vírus virtual, roubar senhas e arquivos.
Cá por mim, além de desconfiado e apagador de e-mails desconhecidos, como já disse, jamais caí na tentação de clicar em algo para aumentar o pênis. Sou satisfeito com o que Deus me deu e ponto. Bola (ops) para a frente. E, gente, cuidado com os golpes.
Aumentar o pênis? Prefiro mesmo é aumentar meu saldo na minha conta do Bradesco.
Esqueci. Não tenho conta no Bradesco. Pode ser o aumento na conta Caixa, então. Mas sem eu precisar clicar em nada, ok? Prefiro pix, por favor!
Fonte: saibamais.jor.br
