Uma verdadeira batalha politica com final ainda imprevisível. É assim que analistas projetam a sabatina que será enfrentada no Senado Federal, nesta quarta-feira (29), pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula (PT) a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ser aprovado, ele precisa de 41 dos 81 votos dos senadores, mas governo e oposição ainda não têm certeza sobre quem vencerá essa queda de braço. Dos três representantes do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL), até o momento, é o único que antecipou que votará contra a indicação. Já Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) não revelaram como pretendem votar.
Líder da oposição no Senado Federal, Rogério vem participando ativamente das articulações de bastidores para vetar a indicação de Messias. De acordo com apuração do jornalista Guilherme Amado no blog “Amado Mundo”, o potiguar telefonou para colegas senadores para tentar convencê-los a votar contra o indicado de Lula.
Para Rogério, Messias será aprovado pelo Senado, mas ele defende que é preciso mandar um recado ao governo Lula. A ideia é que o indicado do presidente “passe raspando”, com uma margem pequena de votos, evitando assim que a gestão petista “mostre força”.
Rogério Marinho foi um dos poucos senadores da oposição que não recebeu Jorge Messias. Faz parte da tradição informal de Brasília que indicados ao STF visitem os gabinetes dos senadores em busca de apoio antes da sabatina oficial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da votação no plenário do Senado.
Styvenson chamou Messias de “cabra bom”; Zenaide faltou a jantar de apoio a indicado de Lula

De acordo com relatos, ele teria visitado 75 senadores para garantir os votos necessários para sua aprovação. Em dezembro do ano passado, segundo o “Blog do Barreto”, Styvenson Valentim revelou que havia mandado uma mensagem via WhatsApp para Jorge Messias agendando um encontro presencial com o indicado do presidente Lula.
A reportagem não conseguiu confirmar com a assessoria do senador se o encontro de fato aconteceu. O parlamentar, ainda segundo o blog do jornalista mossoroense, teria sinalizado “simpatia” pelo nome de Messias.
“Gostei dele, cabra bom. É preparado. Ele terá o voto dos evangélicos, pela fé”, declarou Styvenson ao “Blog do Barreto”.
A assessoria da senadora Zenaide Maia não confirmou como ela votará na sabatina nem se a parlamentar recebeu a visita em seu gabinete de Jorge Messias.
Ela foi convidada, mas faltou a um jantar em Brasília, na segunda semana de abril, organizado por um grupo de senadores em apoio ao advogado-geral da União.
Uma das vice-líderes do governo Lula no Senado, Zenaide justificou a ausência afirmando que estava em Natal, acompanhando o esposo e prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime calado (PSD), em um procedimento médico.
Por outro lado, Rogério Marinho reiterou que seguirá a posição do PL contra a indicação de Jorge Messias ao STF.
“Nós estamos no mesmo lugar que sempre estivemos. Nós somos contra que o presidente [Lula] indique o advogado-geral da União. Claro que vamos votar contra a indicação de Jorge Messias”, disse o potiguar.
Messias será sabatinado na CCJ
Antes da votação no plenário do Senado, Jorge Messias será sabatinado a partir das 9h na Comissão de Constituição e Justiça, que definirá se aprova ou não o parecer favorável do senador Weverton Rocha (PDT-MA) à indicação do advogado-geral da União.
Para aprovação do parecer, lido no último dia 15, é preciso apenas maioria simples entre os votantes da CCJ, composta de 27 titulares e 27 suplentes.
Ao ler o parecer, Weverton Dantas destacou que a atuação de Messias na AGU foi marcada pelo seu perfil conciliador e pelo diálogo com diferentes setores da sociedade.
“A AGU, sob sua liderança, posicionou a conciliação como uma política de Estado, priorizando a segurança jurídica por meio da realização de acordos judiciais e extrajudiciais”, escreveu o senador.
Jorges Messias teve atuação destacada após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, que culminaram com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela 1ª Turna do STF.
Além disso, o advogado-geral da União também assumiu um papel de destaque na resposta jurídica e diplomática do Brasil contra o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump (EUA) sobre produtos brasileiros em julho de 2025.
Fonte: saibamais.jor.br