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“Walter Alves volta para o colo de onde veio”

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Ao recusar a cadeira de governador com a já anunciada renúncia de Fátima Bezerra, que concorrerá ao Senado, Walter deixará vago o cargo. Com a iminente possibilidade do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, também recusar o posto, o Tribunal de Justiça deve convoca uma eleição indireta para um mandato tampão.

Nesta entrevista à agência Saiba Mais, o deputado federal Fernando Mineiro (PT) avalia o cenário e os desdobramentos dessa decisão no campo político e administrativo do Estado.

Confira a entrevista abaixo:

O vice-governador Walter Alves já vinha dando sinais de que romperia a aliança com o PT no Estado, o que foi oficializado nesta segunda-feira (19). Na sua avaliação, qual o impacto dessa decisão no cenário político do Estado?

A decisão de Walter Alves não é nenhuma surpresa pois já tinha sido anunciada há mais de dois meses. Com a formalização do rompimento com o projeto que ajudou a eleger em 2022 e o anúncio de sua adesão a um dos grupos da oposição local ao nosso governo, ele retorna a seu lugar de origem: o campo político da centro-direita e da direita no estado. Mais do que uma “indisposição” para assumir a gestão do estado, Walter Alves assume a sua “indisposição” para avançar politicamente, se negando a assumir papel importante na construção de um projeto político – administrativo avançado e progressista para o RN – e se volta para o colo político tradicional de onde veio, para ser comandado pelos interesses de Alves/Maia que, ao fim e ao cabo, serão os tutores e condutores da candidatura que ele passa a apoiar. Se alguém lembrar da fábula de Esopo e disser que isso é da natureza do escorpião não estará de todo errado.

A reação do PT foi rápida, reafirmando o apoio às candidaturas de Fátima, ao Senado Federal, e de Cadu Xavier, ao Governo do Estado. A nota oficial do partido também afirma que o PT terá um candidato na eleição indireta que a ALRN deve realizar em razão da vacância no cargo. Quem, na sua avaliação, deve ser o candidato do PT ao mandato tampão?

A nota divulgada pelo PT reafirma, de forma firme e contundente, as candidaturas de Cadu ao governo do estado e a de Fátima ao Senado. Essa posição implica a renúncia de Fátima para concorrer à vaga. Se prevalecer o que por ora se sabe, o deputado Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa e, portanto, o próximo na linha sucessória, não assumirá o cargo de governador. Com isso, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ibanez Monteiro, assumirá o cargo e convocará eleições indiretas; os deputados e as deputadas estaduais terão até 30 dias para escolherem quem concluirá o atual mandato. Qualquer cidadão ou cidadã em pleno gozo de seus direitos políticos poderá concorrer ao cargo.

Sobre a eleição indireta, é de fundamental importância que o PT apresente um nome para a conclusão do mandato, não apenas para respeitar a escolha que o povo fez nas eleições de 2022, mas também — e principalmente — para deixar claro que não existe nenhuma “bomba administrativa” prestes a explodir nos próximos meses. Nesse sentido, acho que o nome de Cadu é o mais indicado para essa função. Evidentemente essa costura não é uma tarefa fácil devido à correlação de forças na Assembleia Legislativa, mas é de prioridade absoluta. O resultado da eleição para o chamado mandato tampão terá impacto não só nos últimos meses da gestão, mas no processo eleitoral de 2026.

O MDB comanda pelo menos três secretarias no Governo Fátima, sendo duas estratégicas, como a CAERN e a secretaria de Estado de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Semarh). Na sua avaliação, qual o real impacto desse rompimento do MDB com o governo Fátima?

É preciso reconhecer que a ida de Walter Alves para a oposição em nível local cria um novo cenário político no RN, pois afeta a composição interna do governo e obriga a repensar tanto a administração do estado em si como a tática relacionada às eleições de 2026. Uma questão que surge de imediato é sobre qual será o posicionamento das pessoas que, indicadas por Walter, fazem parte da gestão. Essas pessoas seguirão Walter Alves e também romperão com o governo? Qual e como será a nova conformação administrativa do governo com a saída do MDB?

Com a saída do MDB, com quem o PT deve priorizar o diálogo, a partir de agora?

No campo da aliança política é de extrema importância a discussão desse novo cenário estadual com o PC do B e PV (membros da Frente Brasil da Esperança), PSOL, PSB, PDT, além de lideranças de instituições e movimentos sindicais e sociais do campo progressista em nosso estado. Só a partir da retomada desse diálogo horizontal – que deve ser levado às cidades – poderemos encontrar e fortalecer caminhos que possibilitem o enfrentamento dos enormes desafios que temos pela frente.

Essa decisão pode ter impactos no arranjo eleitoral para as demais disputas ?

Esses acontecimentos políticos que estamos vivendo – e outros que viveremos até outubro próximo – não podem nos desviar do objetivo maior em 2026: a reeleição do Presidente Lula. E, evidentemente, das eleições das candidaturas do campo democrático e progressista para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa.

Fonte: saibamais.jor.br

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