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Álvaro Dias rumo ao Governo do Estado: com que moral?

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*Por Marcus Demétrios(@marcusdemetrios) – Especialista em Gestão Pública e presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Parnamirim/RN.

O tabuleiro político do Rio Grande do Norte começa a se desenhar para os próximos ciclos eleitorais, e um nome surge entre as viúvas do marketing: Álvaro Dias. O ex-prefeito de Natal, que outrora desfrutou de índices de aprovação confortáveis, agora ensaia um salto em direção à Governadoria. No entanto, o cidadão potiguar — e especialmente o natalense — precisa fazer uma pergunta incômoda, mas necessária: com que moral Álvaro Dias pretende gerir o estado, diante do legado de incertezas e problemas crônicos que deixa na capital?

Para analisar as pretensões de Álvaro, é preciso olhar para além do marketing oficial e encarar a realidade das ruas de Natal. A gestão do ex-gestor da capital foi marcada por uma série de pontos negativos que colocam em xeque sua capacidade administrativa para um cargo de tamanha magnitude estadual.

O Abandono da Saúde e da Educação

A rede municipal de saúde de Natal enfrentou crises severas sob o comando de Álvaro Dias. Falta de medicamentos básicos, unidades de saúde com infraestrutura precária e greves constantes de servidores revelam uma incapacidade de gestão de recursos humanos e financeiros. Na educação, o cenário não é diferente: o déficit de vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e o atraso no repasse de direitos aos professores mostram que as prioridades do prefeito parecem estar longe do bem-estar social básico.

O Caos do Plano Diretor e o Urbanismo de Fachada

Embora a atualização do Plano Diretor tenha sido vendida como a “salvação econômica” da cidade, o que se vê na prática é uma gestão urbana que privilegia grandes grupos em detrimento da preservação e da qualidade de vida do cidadão comum. Enquanto o prefeito focou em obras de “embelezamento” em áreas turísticas, a periferia de Natal sofre com o esquecimento. O saneamento básico e a drenagem continuam sendo gargalos que, a cada chuva, paralisam a cidade e expõem a fragilidade do planejamento municipal em sua gestão.

A Crise do Transporte Público

Talvez o maior “calcanhar de Aquiles” de sua gestão seja o transporte público. Sob o olhar complacente da Prefeitura, Natal viu sua frota ser reduzida, linhas serem extintas e o preço da tarifa subir sem qualquer contrapartida em qualidade. O natalense espera horas em paradas sem abrigo por ônibus lotados e sucateados. Se Álvaro Dias não conseguiu resolver o problema da mobilidade em uma única cidade, como pretende gerir a malha logística e o transporte intermunicipal de todo o Rio Grande do Norte?

A postura política de Álvaro Dias também é motivo de crítica. Marcado por um estilo centralizador e, por vezes, avesso ao diálogo com categorias profissionais e com a própria Câmara Municipal em momentos cruciais, o prefeito demonstra uma dificuldade em construir consensos — característica essencial para quem deseja governar um estado plural.

Falta de Moral

Candidatar-se é um direito democrático, mas a “moral” política é construída através de resultados tangíveis. Álvaro Dias chegará ao período eleitoral carregando o peso de uma Natal cansada de promessas não cumpridas e de serviços públicos essenciais em frangalhos. Antes de olhar para a Governadoria, o prefeito deve explicações aos natalenses sobre por que a capital parece ter parado no tempo enquanto o discurso oficial insiste em um progresso que não chega à mesa, nem ao ônibus, nem ao posto de saúde do povo. O Rio Grande do Norte merece mais do que uma gestão de vitrine; merece alguém que tenha provado competência onde mais importa: na vida real dos cidadãos. A moral de Álvaro está na UTI do hospital que ele inaugurou e não funciona.

Fonte: saibamais.jor.br

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