O Rio Grande do Norte alcançou em 2025 o maior número de transplantes desde 2019. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) mostram que foram realizados 426 procedimentos no último ano, superando o total de 424 transplantes registrados em 2024 e confirmando uma trajetória de crescimento das cirurgias desse tipo no estado.
Do total de procedimentos realizados, o maior volume foi de transplantes de medula óssea, com 186 casos. Em seguida aparecem os transplantes de córneas (183), rins (56) e um transplante de coração, segundo informações do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
Apesar do avanço, a Sesap alerta que a expansão da política de transplantes esbarra na limitação do número de doadores. A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do RN, Rogéria Medeiros, reforça que a principal barreira hoje não é estrutural, mas social.
“Embora o número de transplantes venha crescendo, precisamos aumentar o número de doações. Para isso, é muito importante o apoio da população para que o assunto da doação de órgãos seja abordado dentro das famílias. No momento de luto e de dor, quando você recebe a notícia que um familiar faleceu e você já sabe que é da vontade dele ser um doador, isso torna o processo mais rápido e fácil. Ser um doador é transformar a dor em vida, o seu familiar vai estar vivo em outras pessoas”, afirmou.
Atualmente, a fila de espera por transplantes no estado segue elevada. A maior demanda é por córneas, com 624 pessoas em espera. Os números apontam ainda 326 pessoas aguardando transplante de rim e uma por coração e 14 por medula óssea.
Segundo a Sesap, a rede estadual tem capacidade para ampliar tanto a captação quanto a realização de transplantes. As principais unidades responsáveis pelos procedimentos são os hospitais Tarcísio Maia e Walfredo Gurgel. A Central Estadual de Transplantes também coordena a captação de órgãos em hospitais de todo o estado e, quando necessário, o envio para outros centros do país, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Civil (Sesed) e com a Força Aérea Brasileira.
A secretaria destaca ainda que não é possível estabelecer metas rígidas de crescimento para 2026, já que o número de transplantes depende diretamente da disponibilidade de doações. “A rede está pronta para seguir ampliando o quantitativo”, informa a pasta.
Enquanto os indicadores mostram avanços históricos, o desafio permanece: transformar o aumento da capacidade instalada em mais vidas salvas, a partir da ampliação da cultura da doação de órgãos no Rio Grande do Norte.
Fonte: saibamais.jor.br
