A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) decidiu, por meio da Portaria nº 001/2026, extinguir três feiras livres em Natal, nos bairros de Felipe Camarão, Gramoré e Pajuçara. Publicada no Diário Oficial do Município em 15 de janeiro, a determinação prevê o encerramento das atividades em até 30 dias, sob a justificativa de “inviabilidade da continuidade” desses espaços.
Um dos feirantes afetados pela portaria é Antônio Loureço dos Santos, de 65 anos, morador de Felipe Camarão há 30 anos e trabalhador da feira do bairro pelo mesmo período. Além de vender frutas e verduras, ele também alugava barracas para outros feirantes que atuavam aos domingos na Rua Nossa Senhora do Livramento.
“Lá era meu meio de sobrevivência. Não tenho como levar as barracas que alugo para outras feiras porque não tem espaço para mim. Nas demais feiras, já tem os pontos certos e as pessoas certas para aluguel de barracas”, afirma.
Segundo Antônio, a mudança também traz custos que ele não tem condições de arcar. “A prefeitura não transporta as barracas, é um gasto que eu vou ter”, diz. Mesmo reconhecendo que a feira havia diminuído, ele garante que ainda mantinha clientela. “Sempre tive clientela, mas como a prefeitura achou que a feira era pequena, eu saí no prejuízo.”
De acordo com o feirante, além de sua banca de frutas e verduras, a feira reunia venda de peixes e uma banca de café, funcionando como ponto de acesso a alimentos frescos e mais baratos.
Em resposta, a Semsur afirma que a decisão foi baseada na redução expressiva do número de feirantes e da procura ao longo dos anos. “Antes, eram feiras com um quantitativo muito maior e mais diversidade, mas hoje essa realidade mudou”, informou a secretaria.
No caso do Gramoré, segundo a pasta, muitos feirantes migraram para outras feiras e a antiga feira da Avenida Tocantina já não existe mais, não havendo trabalhadores ativos no local. Em Pajuçara, a situação seria ainda mais crítica. “Trata-se de uma feira que estava judicializada e que, na prática, tornou-se inviável, já que funcionava com apenas dois feirantes, o que descaracteriza completamente o funcionamento de uma feira”, explicou a Semsur. Já em Felipe Camarão, a secretaria afirma que havia apenas um feirante em atividade.
A Semsur também argumenta que os moradores não ficarão desassistidos, uma vez que há feiras em bairros próximos. Entre os exemplos citados estão a feira da Cidade da Esperança e a feira de Felipe Camarão realizada às terças-feiras. Em Pajuçara, a população pode recorrer às feiras de Santa Catarina e da Pompéia, além da feira de Nova Natal.
Segundo a secretaria, apenas três feirantes estão sendo diretamente impactados pela medida e todos terão prazo de 60 dias para procurar a pasta e serem encaminhados para feiras próximas. “Garantimos a continuidade de suas atividades sem prejuízo”, afirma o órgão.
Antônio diz que a realocação não resolve sua situação, já que não há espaço disponível para instalar suas barracas e continuar com o aluguel, atividade que complementa sua renda. Sem saber como irá se reorganizar, ele resume a angústia vivida: “Eu não sei ainda o que fazer. Deus é que orienta a gente”.
A portaria proíbe qualquer instalação de bancas, tendas ou mobiliário nos locais onde as feiras foram extintas e autoriza a aplicação de sanções após o fim do prazo.
Fonte: saibamais.jor.br
