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Defensoria vai investigar aumento de taxas em contas de energia no RN

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Depois de receber uma série de denúncias sobre aumento de taxas presentes na conta de energia de consumidores que haviam investido em energia solar, a Defensoria Pública do Rio Grande do Norte abriu um “Procedimento Preparatório para Ação Coletiva”, instrumento que permite uma apuração técnica antes da eventual judicialização do conflito.

Começamos a receber, de forma reiterada, reclamações de consumidores que investiram em sistemas de geração de energia solar e que passaram a perceber alterações significativas em suas faturas de energia elétrica, sem qualquer explicação clara ou prévia. Esses consumidores relataram, principalmente, mudanças na forma de cálculo da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP/COSIP) e dúvidas quanto à incidência do ICMS sobre a energia compensada”, explica Rodrigo Lira, Defensor Público.

Ao analisar as faturas e os documentos apresentados, a Defensoria verificou que não se tratava de situações isoladas, mas de um padrão de cobrança que poderia estar afetando um número expressivo de usuários no Rio Grande do Norte. Com o procedimento, a Defensoria Pública quer analisar se as cobranças realizadas possuem respaldo legal e se estão em conformidade com o Marco Legal da Geração Distribuída, com a legislação tributária e com o Código de Defesa do Consumidor.

Para isso, requisitamos informações formais à concessionária de energia elétrica, à Secretaria Estadual de Tributação e ao Município do Natal, buscando esclarecer quais critérios estão sendo utilizados, desde quando passaram a ser aplicados e qual a base normativa que sustenta essas cobranças”, detalha o Defensor Público.

Ao final da apuração, caso sejam constatadas irregularidades, a Defensoria poderá adotar medidas via extrajudicial, buscando a correção das práticas, ou pela via judicial, inclusive com pedido de restituição de valores eventualmente cobrados de forma indevida.

É importante destacar que muitos consumidores realizaram investimentos elevados na instalação de sistemas fotovoltaicos confiando em um determinado regime jurídico, o que envolve não apenas questões econômicas, mas também princípios fundamentais como a segurança jurídica, a boa-fé e a proteção da confiança legítima. Alterações unilaterais e pouco transparentes nesse cenário merecem, no mínimo, um controle rigoroso por parte das instituições públicas”, alerta Lira.

Por meio de nota, a Neoenergia Cosern, responsável pelo abastecimento e distribuição de energia elétrica no Rio Grande do Norte, afirma que a empresa ainda não foi notificada, mas esclarece que em relação à cobrança de ICMS sobre parcela subvencionada (CDE), o faturamento tem sido realizado conforme Decreto Estadual 128/2025, que isenta a cobrança do tributo até 31 de dezembro de 2026. Já sobre a cobrança de Iluminação Pública, que reflete diretamente no valor final das contas, o faturamento tem sido realizado conforme legislação de cada município, considerando o consumo total do imóvel.

A cobrança é definida por cada Prefeitura e destina-se exclusivamente ao custeio desse serviço. É importante lembrar que a Neoenergia Cosern é apenas um agente arrecadador da Contribuição de Iluminação Pública, que é repassada aos municípios. A Neoenergia Cosern informa, ainda, que analisa individualmente as manifestações recebidas pelos clientes”, traz um trecho da nota.

A Defensoria ressaltou a importância de manter os incentivos ao consumo de energia limpa.

Nosso papel, acima de tudo, é garantir que o consumidor seja respeitado, informado adequadamente e protegido contra práticas abusivas, sobretudo em um contexto de incentivo à energia limpa e sustentável, que não pode ser desestimulado por insegurança regulatória ou tributária”, declara Lira.

Fonte: saibamais.jor.br

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