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Como esquerda e direita do RN reagiram a desfile que homenageou Lula

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Foto: Instragram @s1fotografiaecomunicacao

O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula, no último domingo (15), provocou reações diversas entre a classe política do Rio Grande do Norte. Enquanto parlamentares de esquerda celebraram a passagem da escola pela avenida e o enredo escolhido, nomes da direita reagiram com fotos na ‘trend’ em lata de conserva, uma referência a uma das alas da escola que criticou conservadores.

Nas redes sociais, a governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que o desfile foi “lindo e histórico”.

“Contar a história do nosso querido Lula é contar a vitória do povo brasileiro sobre a opressão. Viva o Brasil, Viva a democracia, Viva Lula”, afirmou.

O deputado Fernando Mineiro (PT) elogiou as sátiras e ironias aplicadas ao enredo, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retratado como o palhaço Bozo, e também com trajes listrados e tornozeleira eletrônica.

“O desfile ilustrou desde a vinda de Lula do Nordeste, seu primeiro trabalho como engraxate, sua luta pelas greves, movimento sindical, ala da estrela vermelha, e tantos outros. Alas como ‘Tem filho de pobre virando doutor’, destacando diplomas e a emancipação social das famílias, a ala demonstrando os contrastes sociais, o conservadorismo e a resistência popular”, elencou.

Entre deputados da Assembleia Legislativa, o líder do governo Fátima, Francisco do PT, disse que vários fatos históricos foram relembrados no carnaval do Rio de Janeiro, “ao retratar a trajetória do presidente Lula, desde a luta do menino nordestino fugindo da seca, a transformação do Brasil a partir do seus governos e a retomada da democracia com o seu retorno.”

Divaneide Basílio (PT) também exaltou o governo Lula e a figura do presidente. “Podem até querer boicotar, mas Lula é o melhor presidente do Brasil e o povo confirmou nesse espetáculo belíssimo! Parabéns a Acadêmicos de Niterói pela coragem de levar essa história de luta para o Sambódromo e para o mundo!”, apontou.

Já Isolda Dantas disse que “a história segue retratando as injustiças cometidas contra o maior líder político da nossa história.”

Na Câmara Municipal, Samanda Alves (PT) disse que foi emocionante ver a história de Lula sendo contada na avenida.

“No abre-alas, a denúncia do golpe contra a nossa presidenta Dilma Rousseff e a força do povo que fez história ao reconduzir Lula ao seu terceiro mandato. Carnaval também é memória, luta e consciência política”, escreveu ela, que também é a presidenta estadual do PT.

Imagens retrataram Bolsonaro como o palhaço “Bozo” – em um dos momentos, com trajes listrados e tornozeleira eletrônica; e também o período em que Michel Temer “rouba” a faixa presidencial – Fotos 1 e 2: Alex Ferro/Riotour; foto 3: Marco Terranova/Riotour

Brisa Bracchi (PT) afirmou que a Acadêmicos de Niterói transformou o Carnaval em memória viva e emoção. 

“Um enredo forte, que canta a luta e a esperança do nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostrando que quando o povo sonha junto, a história muda. Que lindeza ver a avenida pulsar com tanta verdade!”, exaltou.

Já Daniel Valença (PT) alfinetou o que chamou de “mídia bolsonarista” por “espernear” contra o desfile. A publicação foi feita em colaboração com a deputada federal Natália Bonavides.

“O desfile da Acadêmicos de Niterói escancarou o que foi o golpe de 2016 e tudo o que o país enfrentou desde então. Foi resistência, memória e denúncia, e foi lindo ver o povo transformando a verdade em arte e consciência”, apontou Daniel.

O Rio Grande do Norte ainda teve um representante em destaque na Sapucaí. O potiguar Ivan Baron, pré-candidato a deputado estadual, influenciador digital e ativista pela inclusão, desfilou em um carro alegórico que retratou um caminhão pau de arara na avenida e os símbolos da fé de Dona Lindu, mãe de Lula. O influenciador ganhou notoriedade nacional ao subir a rampa do Palácio do Planalto, ao lado de Lula, na posse do presidente em 1º de janeiro de 2023. À reportagem, Ivan diz que a emoção do desfile se comparou com aquele dia.

“Entrar na Sapucaí pela primeira vez para homenagear em vida uma das maiores figuras brasileiras pra mim é uma grande honraria, ainda mais em um carro que retrata a luta do povo nordestino e tudo que o presidente Lula precisou passar para fazer por nós. Viva Lula, viva a Democracia!”, declarou.

Saiba Mais: Potiguar Ivan Baron desfila em escola que homenageou Lula no RJ

Lata de conserva

O senador Rogério Marinho lançou nota na segunda-feira (16) de tarde para criticar o enredo e disse que o desfile foi transformado em palanque político a favor de Lula e informou que vai adotar as medidas judiciais cabíveis para apurar eventual abuso de poder político.

“Instrumentalizar um desfile — que deveria ser espaço de manifestação artística — para promover autoridade pública, com nítido viés eleitoral, afronta a ética, o equilíbrio democrático e o princípio da isonomia”, se posicionou o líder da oposição no Senado.

O parlamentar entrou na ‘trend’ da lata de conserva, assim como outros políticos de direita do estado, e publicou uma imagem com inteligência artificial dele, da esposa e dos quatro filhos em uma lata de conserva. A ala chamada de “Neoconservadores em conserva” trazia uma descrição de que o grupo atua fortemente em oposição a Lula, representada por pessoas do agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos.

Carla Dickson (PL), deputada federal pelo Rio Grande do Norte, fez o mesmo tipo de publicação, assim como a vereadora de Natal Camila Araújo (União) e o pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL).

Outros deputados, como General Girão e Sargento Gonçalves, ambos do PL, também comentaram o desfile. Girão disse que vai pressionar a Câmara para que a escola de samba seja responsabilizada, e Gonçalves questionou quais seriam as reações se fosse feita uma piada direcionada às religiões de matriz africana ou ao “homossexualismo” — sufixo “ismo” é utilizado para caracterizar doenças, e a Organização Mundial de Saúde retirou o termo do rol de distúrbios mentais desde 1990, por não considerar esse aspecto da diversidade humana como uma anomalia. O termo correto é “homossexualidade”.

Acadêmicos de Niterói relata perseguição por enredo: “não conseguiram”

Em nota, a escola de samba Acadêmicos de Niterói relatou na segunda-feira (16) que durante todo o processo carnavalesco a agremiação sofreu perseguições. 

“Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca. Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar. Não conseguiram”, disse a escola.

Mesmo pressionada, a agremiação disse que não se curvou.

“Nos posicionamos, resistimos e levamos para a Avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade. A força da nossa comunidade foi o nosso pilar. A aclamação popular foi a nossa resposta. O carinho do público foi o nosso maior prêmio”, apontou a escola.

No desfile, integrantes fizeram o “L” e o público gritou “sem anistia” ao término da homenagem. O enredo escolhido pela escola, “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, exaltou a trajetória do atual presidente. Lula acompanhou do camarote da Prefeitura do Rio, mas também deixou o local por um momento e desceu até a avenida para cumprimentar o mestre-sala e a porta-bandeira. Ele beijou a bandeira da escola, e também repetiu o gesto com as outras três agremiações que desfilaram na noite: Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira.

Junto com o presidente no camarote estavam a primeira-dama Janja, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ministros e aliados. A escola entrou na avenida às 22h13 e encerrou o desfile às 23h32, dentro do limite de 80 minutos.

Sátira política

O desfile foi marcado por uma série de críticas políticas — além da já mencionada ala “Neoconservadores em conserva”. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado como o palhaço “Bozo” em ao menos dois carros. No primeiro carro alegórico, foi representado com um terno azul. No quarto, um palhaço surge como uniforme de presidiário e uma tornozeleira danificada fazia referência ao episódio em que o ex-presidente danificou o equipamento na prisão domiciliar.

Outro momento fez referência ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Bonecos caracterizados mostravam a posse de Dilma e, depois, a faixa presidencial sendo tomada por uma pessoa que representava Michel Temer (MDB).

Contestações

O repórter Pedro Bassan, da TV Globo – que transmite oficialmente os desfiles, fez uma entrada ao vivo de mais de três minutos explicando as contestações de partidos ao desfile. Explicou que foram representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União e ações na Justiça comum e na Justiça Eleitoral, cada uma com pedidos específicos, mas de forma geral argumentando que o enredo poderia configurar propaganda eleitoral antecipada.

As ações também buscaram impedir o repasse de recursos para a Acadêmicos de Niterói ou obrigar a escola a devolver o que já recebeu. O incentivo mais contestado foi o da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), que é um órgão federal. A Embratur repassou R$ 1 milhão para a Niterói, assim como fez para todas as outras escolas do Grupo Especial. Foram R$ 12 milhões ao total para as 12 escolas, por meio de um acordo de cooperação técnica firmado entre a Agência e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

Na quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda negou pedidos de liminar em duas representações por propaganda eleitoral antecipada apresentadas pelos partidos Novo e Missão. Os ministros acompanharam o entendimento da relatora, ministra Estela Aranha, que ressaltou que a legislação proíbe o pedido explícito de voto em circunstâncias que não encontram juízo de certeza nesta primeira análise do caso.

A ministra Estela Aranha disse que restringir previamente manifestações artísticas e culturais, apenas por conterem eventual conteúdo político, configura censura prévia e restrição desproporcional ao debate democrático. Portanto, ela acrescentou, “não se verifica, neste momento, probabilidade do direito a justificar a concessão de liminar”, reiterando que eventuais ilícitos poderão ser apurados posteriormente, conforme o contexto fático.

Fonte: saibamais.jor.br

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