Uma mulher trans conhecida como Naomi foi encontrada morta dentro da própria residência na última semana, na Praia da Pipa, no município de Tibau do Sul, litoral sul do Rio Grande do Norte. Segundo informações da Polícia, ela foi vítima de golpes de faca. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte confirmou que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias da morte. Em nota enviada à Agência SAIBA MAIS, a corporação informou que equipes foram acionadas, realizaram os primeiros levantamentos no local e iniciaram diligências. “Até o momento, não há informações oficiais sobre autoria ou motivação do crime. As investigações seguem em andamento, com a coleta de provas técnicas e oitivas, com o objetivo de identificar o(s) responsável(is) e elucidar os fatos”, informou a Secretaria de Comunicação Social da Polícia Civil (SECOMS).
O caso provocou forte comoção entre moradores da região e repercutiu nas redes sociais. A Associação Potiguar de Travestis e Transexuais na Ação pela Coerência no Rio Grande do Norte (Attransparência/RN) publicou uma nota pública pedindo justiça. “Justiça para o assassinato de Naomi! Mais uma trans morta no Rio Grande do Norte. Não podemos deixar esse crime passar impune, a população da praia de Pipa em Tibau do Sul clama por justiça”, declarou a entidade.
Até o momento, não há confirmação de suspeitos nem informações sobre a motivação do crime. A Polícia Civil reforçou que denúncias anônimas podem ser feitas por meio do Disque Denúncia 181 e podem contribuir com o avanço das investigações.
A equipe de reportagem procurou familiares e amigos de Naomi para prestar depoimento, mas não conseguiu localizá-los até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações de pessoas próximas que queiram prestar homenagens ou contribuir com informações sobre a vítima. O caso segue sob investigação.
Nordeste foi a região que mais matou pessoas trans em 2025; RN não teve casos
Mesmo com a queda no número de assassinatos, o Brasil segue ocupando o primeiro lugar no ranking mundial de mortes de pessoas transexuais e travestis, com 80 casos registrados em 2025. O país mantém essa posição há quase 18 anos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), responsável pelo levantamento divulgado na última segunda-feira (26).
Para a entidade, a redução de 34% em relação a 2024 não representa um recuo efetivo da violência, mas reflete um cenário marcado por subnotificação, fragilidade institucional e ausência de políticas públicas estruturadas.
Em 2025, Ceará e Minas Gerais lideraram o número de assassinatos, com oito registros cada. A violência permaneceu concentrada no Nordeste, responsável por 38 mortes, seguido pelo Sudeste, com 17 casos. Na sequência aparecem o Centro-Oeste, com 12, o Norte, com sete, e o Sul, com seis. O levantamento da Antra, que analisa a série histórica entre 2017 e 2025, aponta São Paulo como o estado mais letal do país, com 155 assassinatos no período.
É nesse contexto que o dado do Rio Grande do Norte, que não registrou assassinatos de pessoas trans em 2025, deve ser lido com cautela. Embora o estado apareça com zero casos no levantamento anual, ele integra uma região historicamente marcada por altos índices de violência transfóbica. O próprio dossiê destaca que a diminuição dos assassinatos não foi acompanhada por redução das tentativas de homicídio, o que indica que a queda numérica não significa, necessariamente, maior proteção ou segurança para essa população.
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Nordeste foi a região que mais matou pessoas trans em 2025; RN não teve casos
Fonte: saibamais.jor.br
