Início Atualizações Disputa pelo Senado no RN começa a ganhar forma para 2026

Disputa pelo Senado no RN começa a ganhar forma para 2026

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A corrida eleitoral de 2026 já começa a ganhar forma no Rio Grande do Norte, e uma das disputas mais estratégicas será pelas duas vagas ao Senado em jogo no estado. Faltando alguns meses para o pleito, nomes de diferentes campos políticos se movimentam nos bastidores, articulam alianças e testam a viabilidade de suas candidaturas junto a partidos e eleitores. Entre lideranças já consolidadas, possíveis retornos ao cenário eleitoral e apostas de renovação, o tabuleiro político potiguar começa a se desenhar. 

Mais de 2,6 milhões de pessoas devem ir às urnas no Rio Grande do Norte no pleito de outubro. Os atuais mandatários do Senado são Zenaide Maia (PSD), Styvenson Valentim (PSDB) e Rogério Marinho (PL). Os dois primeiros venceram em 2018 e vão à reeleição neste ano, enquanto Rogério tem a garantia de mais quatro anos de mandato pela frente e é o responsável pela coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência.

A Agência SAIBA MAIS buscou os principais pré-candidatos à Casa Alta para saber quais devem ser suas principais bandeiras e prioridades na eleição. Além de Zenaide e Styvenson, foram procurados, diretamente ou por meio da assessoria, Samanda Alves (PT), Jean Paul Prates (PDT), Sandro Pimentel (PSOL) e Coronel Hélio (PL). Recebemos retorno das pré-candidaturas de Samanda, Jean Paul Prates e Sandro Pimentel. Nesta quinta-feira (2), quando a reportagem já estava em desenvolvimento, Rafael Motta se filiou ao PDT e também poderá ser candidato ao Senado ou primeiro suplente, em discussão que ainda será feita internamente na sigla.

Samanda Alves

No campo governista, Samanda é o nome colocado para representar o PT na disputa. Engenheira, feminista e presidenta do PT no estado, ela foi eleita vereadora da capital potiguar com 5.189 votos em 2024. 

Samanda atuou por 20 anos como assessora de Fátima Bezerra nos mandatos de deputada federal e senadora, foi secretária adjunta do Gabinete Civil e subsecretária do Trabalho Emprego e Renda do Governo do RN na gestão de Fátima e exerceu o cargo de chefe de gabinete do deputado Francisco do PT.

Durante o governo da presidenta Dilma Roussellf, a parlamentar foi vice-presidenta e coordenadora geral do Conselho Nacional de Combate à Discriminação de LGBT e, também, atuou como Coordenadora Nacional de Políticas LGBT. 

Até março, ela era pré-candidata a deputada federal, mas a postulação mudou depois que Fátima recuou de disputar o Senado para concluir o mandato de governadora, deixando a vaga do PT em aberto. A escolha de Samanda como pré-candidata a senadora foi confirmada em resolução da legenda petista.

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“O Senado vai ser o campo central da disputa no Brasil e a extrema direita já deixou claro que quer usar esse espaço para atacar a democracia e pressionar outros Poderes, inclusive com ameaças ao STF”, afirmou a pré-candidata.

A petista afirmou que quer chegar ao Senado para defender o país do autoritarismo e pautar os temas de interesse do povo brasileiro.

“Nossa luta é para taxar super-ricos, ampliar a isenção do Imposto de Renda, acabar com a escala 6×1 e garantir direitos para quem trabalha, inclusive os trabalhadores de aplicativo. Defender o SUS, a educação pública, que precisam de maior financiamento, regular as plataformas digitais e enfrentar a violência contra as mulheres também são bandeiras centrais que carregamos”, defendeu.

“O Senado não pode ser instrumento de retrocesso. Vai ser espaço de enfrentamento e de construção de um Brasil mais justo”, continuou a liderança petista.

Jean Paul Prates

Como possível companheiro na chapa governista, está Jean Paul Prates (PDT), que se filiou à legenda trabalhista em dezembro para tentar retornar ao Senado, onde ocupou mandato entre 2019 e 2023. Ele também foi presidente da Petrobras no governo Lula. 

“Minha atuação política sempre esteve orientada por planejamento, responsabilidade e entrega de resultados. Ao longo do mandato no Senado e à frente da Petrobras, procurei demonstrar que é possível conciliar desenvolvimento econômico, segurança energética e compromisso social”, disse à reportagem.

Prates possui atuação nas áreas de petróleo, gás natural, biocombustíveis e energias renováveis há mais de 20 anos e esteve na linha de frente das campanhas de 2014 e 2018, na candidatura à Prefeitura de Natal em 2020, época da pandemia de Covid-19, e foi senador após a renúncia de Fátima Bezerra em 2019 – que foi eleita governadora, tornando-se o líder do PT no Senado durante o governo de Jair Bolsonaro.

Ele afirma que sua prioridade absoluta será a educação voltada ao presente e ao futuro. “Precisamos de uma transformação estrutural das escolas, com digitalização, modernização dos espaços e formação voltada às novas atividades sociais e profissionais. Isso inclui a implantação de mediatecas, a inspiração nos CIEPs em uma versão contemporânea e integrada, além da continuidade de iniciativas que já demonstraram impacto concreto, como as Areninhas Potiguares, que já somam 72 unidades no estado, e o programa Escolas Solares, que alia autossuficiência energética à formação científica e socioambiental dos alunos.”

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Em paralelo, defende uma agenda forte de infraestrutura e desenvolvimento produtivo, com foco na integração logística do estado e na valorização do potencial energético local. Segundo o pedetista, o RN reúne condições excepcionais em energias renováveis, vantagem que pode ser convertida em empregos, industrialização e renda.

“Outro eixo fundamental é a mobilidade urbana e regional. É possível avançar para modelos de transporte mais acessíveis e eficientes, com eletrificação das frotas em cidades pequenas e médias e soluções progressivas de gratuidade em centros maiores, como a Região Metropolitana de Natal e Mossoró, apoiadas em sistemas digitais de acesso que ampliem a inclusão e a racionalidade do sistema”, apontou.

Sandro Pimentel

Ainda no campo da esquerda, Sandro Pimentel vai voltar às disputas após oito anos. Sua última campanha foi para deputado estadual em 2018, quando foi eleito. Presidente do PSOL no Rio Grande do Norte, ele deverá compor a mesma chapa que hoje tem Robério Paulino como pré-candidato a governador. 

Sandro Pimentel é graduado em gestão pública e mestre em estudos urbanos e regionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Trabalha na mesma universidade como vigilante e tem atuação voltada ao sindicalismo, sendo ex-dirigente do Sindicato dos Estadual dos Trabalhadores em Educação no Ensino Superior (Sintest) e coordenador da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). 

O líder psolista diz que vai priorizar a educação pública, gratuita e de qualidade na sua campanha, com fortalecimento das universidades, institutos federais e assistência estudantil. Defende a recomposição do orçamento do CNPq, CAPES e FINEP para incentivar a produção tecnológica nacional e combater a dependência científica e tecnológica externa.

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Ele também defende a revogação de medidas como as reformas da previdência e trabalhista e, ainda, a defesa de concursos públicos e carreira estruturada, reduzindo o processo de terceirização crescente.

Ligado à causa animal, diz que pretende criar, caso eleito, o Programa Nacional de Proteção Animal, incluindo manejo ético, financiamento para castração pública e permanente e o combate aos maus-tratos com políticas integradas de saúde pública nacional. No tema do meio ambiente e combate à crise climática, aposta no enfrentamento ao desmatamento e crimes ambientais. 

Também deve ter como prioridade a defesa das liberdades democráticas e o combate às fake news e financiamento de milícias digitais, além da defesa de uma reforma tributária que reduza os impostos sobre consumo.

Zenaide Maia

Como vice-líder do governo Lula no Congresso, Zenaide defendeu abertamente a taxação dos super-ricos, votou a favor da agenda social e de direitos humanos e se opôs a medidas autoritárias durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela já declarou, no aniversário de um ano da tentativa de golpe, que a ação foi uma “página infeliz da nossa história”.

A senadora foi eleita em 2018 em uma chapa majoritária encabeçada pela governadora Fátima Bezerra, com forte apoio da militância do PT. Em Brasília, sua atuação é marcadamente progressista, caracterizada pela afinidade com as pautas defendidas pelo Palácio do Planalto. 

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No período recente, porém, ela se aproximou do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), pré-candidato ao governo estadual e adversário declarado da governadora Fátima Bezerra (PT), com quem formará o palanque estadual na eleição deste ano, marcando um rompimento com o PT a nível local.

Presidente do PSD no Rio Grande do Norte, a médica infectologista já foi deputada federal e secretária municipal de Saúde do município de São Gonçalo do Amarante por dois períodos (1991-1992 e 2009-2011).

Styvenson Valentim

Styvenson Valentim estreou na política surfando na onda do antipetismo, do voto “antissistema” e da rejeição aos partidos tradicionais em 2018, tendo se notabilizado ao comandar a Operação Lei Seca no Rio Grande do Norte.

Depois de 2022, quando tentou se eleger governador, mas ficou apenas em terceiro lugar na disputa, ele deu uma guinada em seu perfil de “outsider”, aderiu ao pragmatismo e se aproximou de figuras como Rogério Marinho, um dos nomes mais representativos do “mainstream” político do estado. 

Desde 2018, o senador passou pelos partidos Rede Sustentabilidade, Podemos, PSDB e caminha para retornar ao Podemos. É um dos candidatos da chapa bolsonarista no Rio Grande do Norte e deverá formar dobradinha com Coronel Hélio (PL), tendo Álvaro Dias como candidato a governador. 

No último domingo (29), o parlamentar causou polêmica ao fazer um discurso no município de Parelhas em que disse que “coronel da PM não faz nada”.

“Eu podia tá de coronel hoje na PM, sem fazer nada, porque tu sabe que coronel não faz nada, né? Capitão já não fazia, só eu que trabalhava. Podia tá lá na PM ganhando dinheiro fácil, beirando me aposentar, mas não, fui lá fazer o que eu não sabia fazer”, disse o senador no evento de inauguração da reforma de uma escola municipal.

A fala provocou a repercussão imediata na categoria da segurança pública do Rio Grande do Norte. O comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Cel. Alarico José Pessoa Azevedo Junior, emitiu uma nota oficial em que a instituição manifestava “seu profundo lamento e discordância em relação às recentes declarações proferidas” pelo parlamentar.

O comandante-geral da PM disse que causava “estranheza e indignação que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, partam de um membro da reserva da nossa própria corporação”.

A Associação dos Oficiais Militares do RN (Assofme) também repudiou a declaração e afirmou que o senador Styvenson Valentim “representa o pior nível de oficiais” que já passou pela instituição.

Saiba Mais: PM afirma que Styvenson tenta “desqualificar trabalho de oficiais de alta patente”

“Limitado intelectualmente, desagregador, inadimplente com obrigações acadêmicas quando cadete, causou constrangimento em ambiente familiar como a festa dos 100 dias da turma dele. Enfim, sempre foi um oficial de baixo nível. Não seria agora que mudaria”, diz a nota da entidade, que é presidida pelo Cel. da PM Antoniel Jorge dos Santos Moreira.

O comunicado afirma ainda que a atuação de Styvenson Valentim no Senado Federal “está pondo em risco o sistema de proteção social dos militares estaduais”.

“Tudo isso em busca de se manter no mandato de senador. Certamente, ele está querendo engajamento nas redes sociais com uma reação nossa. Vamos deixar esse senhor seguir o caminho dele, afinal, como diz o ditado: uma pessoa pode enganar muitas pessoas por muito tempo, mas não conseguirá enganar todas as pessoas por todo tempo”, completa a nota.

Coronel Hélio

Hélio Oliveira é Coronel Aviador da reserva da Aeronáutica, graduado em Ciências Aeronáutica e diretor de Relações Institucionais da Associação dos Polos Industriais do Rio Grande do Norte (ASPIRN). O carioca já foi candidato a prefeito de Natal em 2020 pelo PRTB e atualmente é presidente do PL na capital potiguar. Representante do bolsonarismo “raiz” na disputa, ele é defensor da anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e costuma participar de atos da direita em Natal.

Fonte: saibamais.jor.br

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