A Polícia Militar do Rio Grande do Norte anunciou o afastamento dos policiais envolvidos na abordagem realizada na madrugada de sábado (14) durante a ocupação organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário em Natal. A decisão foi tomada após a circulação de vídeos que mostram momentos de tensão entre agentes da corporação e integrantes do movimento.
Em resposta à Saiba Mais, a PM informou que o Comando-Geral determinou o afastamento imediato dos policiais e a abertura de um procedimento administrativo para apurar a conduta dos agentes.
Segundo a corporação, a ocorrência foi atendida por equipes do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) após acionamento do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), que recebeu informação sobre uma ocupação no prédio da Associação de Moradores do Conjunto Cidade Satélite (Amocisa), na zona Sul da capital.
“Em resposta às imagens veiculadas sobre a conduta policial durante a ação, o Comando-Geral determinou ao Tenente-Coronel Robson, comandante do 5º BPM, o afastamento imediato dos policiais envolvidos e a abertura de procedimento administrativo para apuração rigorosa dos fatos”, afirmou a corporação.
Nos vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver momentos de discussão entre policiais e mulheres que participavam da ocupação. Em um dos trechos, o agente que conduz o diálogo interrompe repetidas vezes a fala de Kívia Moreira, integrante do movimento, exigindo que ela fale em tom mais baixo durante a conversa.
Integrantes do grupo afirmam que, durante a abordagem, o policial também mandou a militante se calar em diferentes momentos, enquanto ela tentava explicar os objetivos da mobilização.
A ocupação foi organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário e recebeu o nome de Ocupação Maria do Carmo, em homenagem à militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR) que foi perseguida durante a ditadura militar.
Segundo as organizadoras, a mobilização faz parte de uma jornada nacional de ocupações realizada pelo movimento para denunciar a violência contra mulheres no país e cobrar políticas públicas de enfrentamento ao problema.
A ocupação foi iniciada no sábado (14), data que marca os sete anos do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, morta em 2018.
Cobrança por políticas públicas
De acordo com Kívia Moreira, uma das lideranças da ocupação em Natal, a mobilização também busca pressionar o poder público pela ampliação da rede de proteção às mulheres no estado.
Entre as reivindicações apresentadas pelo movimento estão a implantação da Casa da Mulher Brasileira no Rio Grande do Norte, além da criação de mais espaços de acolhimento para mulheres vítimas de violência.
“O que de fato vai resolver a violência contra as mulheres é ter políticas de emprego digno, moradia, alimentação e creche para as crianças. Não é apenas repressão”, afirmou.
PM diz que mantém diálogo com movimento
Na nota enviada à imprensa, a Polícia Militar também afirmou que o Comando-Geral já havia recebido lideranças do movimento antes da ocupação.
Segundo a corporação, o encontro ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando representantes do grupo e advogados foram recebidos para discutir demandas apresentadas pelas integrantes.
“A instituição reitera que atua pautada pela legalidade e pelo respeito aos direitos fundamentais, não compactuando com condutas que desviem de seus protocolos operacionais”, informou a PM.
Fonte: saibamais.jor.br
